quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Névoa

Deus, meu Deus. Ó, Deus, ó céus, ó vida. Aqui eu cheguei e daqui parece não ter aonde ir mais. Quantos erros, quanto tempo desgastado inutilmente sob influência não genuinamente própria. Me apropriei de novas dúvidas, de medos e frustrações, me vi jogado numa rodovia com muitos e muitos veículos passando sobre mim e nenhum me atingindo. Estou querendo morrer, mas tendo o medo de partir. Não consigo iniciar nada, nem mesmo terminar e isso é como estar acorrentado, dentro de algum lugar da minha mente que eu mesmo não tenho noção. 
Tudo que era, se foi e tudo que poderia ter sido, não foi. A angústia me consome diariamente e eu já não consigo mais lidar com nada - absolutamente nada - disso tudo. Como pode o mundo ser tão injusto e cruel, e frio e também sujo, imundo e detestável. Aos 28 anos tudo parece ter sido tão brevemente passageiro, tão vago e irracional que eu mesmo não estou conseguindo mais nem mesmo colocar sobre palavras ... Meu raciocínio e meu desejo, ambos extremamente confusos, e essa insegurança que transborda lágrimas de desespero e infelicidade.
Simplesmente não coube uma inteligência racional dentro de mim, nasci e não vivo, sobrevivo e no final do dia morro para então no dia seguinte poder repetir toda essa desordem cosmológica. Esse meu jeito de ser é tão errado, tão contra a própria existência que nem mesmo eu consigo lidar com o que penso e faço. Aos 27, um número que sempre me marcou e sempre me seduziu com base em falsas e ilusórias realizações naturalmente me petrificou quando chegou na idade em questão ... Nada pôde ser corrigido, feito e nem sequer realizado por completo. O acidente, a falta de estudos e perspectiva, o afastamento do trabalho, a perda do meu corpo como imagem e influência, o dinheiro ganho e gasto e as pessoas, novas pessoas, introduzidas e conscientemente machucadas ... A incapacidade de vislumbrar o arco íris ... Eu simplesmente errei e me condenei.
Hoje já não sei mais, por definitivo, quem sou é essa ausência de visualização interna me consome como as chamas que deveria o inferno - sim, o próprio inferno - serem feitas ... Eu queria ser rico, não para ostentar, mostrar, atiçar o desejo alheio, mas, para que eu verdadeiramente como um ser deve saber ter sua identidade, só ter. Talvez seja uma maldição congênita, transposta pelas ações e correntes que ao longo do tempo foram sendo fortificadas e, mais do que isso, forjadas para além da agonia e miséria.
Honestamente aqui escrevo e não guardo nada do que é digitalizado, trata-se apenas de palavras não ao vento, mas ao lamento temporário. Por que, Deus, disso tudo ? Seria um teste de fé por eu ao mesmo tempo que já, ainda, quando criança, ter me auto-responsabilizado por malignas ações que foram certamente os pilares para a condenação de toda uma vida. É esse o teste de fé ? Como que me livro desse demônio interno que vive dentro de mim ? Como que posso conduzir toda essa agonia sem fim apenas me baseado na esperança - na falsa esperança - de que amanhã será melhor do que hoje ? 
Esporadicamente, tudo parece entrar nos trilhos, mas, subitamente, algo acontece, como se fosse uma lei universal regida unicamente para mim mesmo e ainda assim permanecer em pé ? 
Ah, Deus ... Ó meu Deus, aja no milagre divino, trace uma nova jornada em que eu aconteça, em que eu mereça a conclusão final da minha existência ou caso contrário, eu suplico, meu Deus, ó Deus em sua infinita misericórdia e amor, conclua-me sob a morte e me enterre, me faça ser ao menos útil para os vermes que poderão se alimentar e procriar, através da minha carne já incolor. Uns dizem para ter fé e outros para acreditar em si próprio, mas não há como saber da capacidade do Divino se nem mesmo ele parece se importar com meus passos. 
Como que eu erguerei a taça da vitória se em toda essa minha vida simplesmente não há glórias ? Decisões e mais decisões, todas elas erradas, largadas e inundadas por minhas lamentações e lágrimas ... O ser humano é simplesmente horrível, e Deus sabe muito bem disso ... O que há lá fora, questiono eu mesmo, e também o que há aqui dentro de mim, também me questiono. Traria eu a morte próxima a mim ou a vida ainda poderia espanta-la pra longe e dessa forma com sua luz sagrada iluminar o meu cérebro e coração ? Pedi ajuda, tantas e tantas vezes que eu pedi ajuda e fui ignorado, por pessoas simples e também pessoas que detém o poder do capitalismo em suas mãos, todos se cegaram quando me aproximei, todos me largaram. Amizades medíocres, pessoas falsas e tenebrosas, seres humanos que não deveriam existir e simplesmente vivem como se Deus os abençoassem firmemente. Que estímulo há de ser vivido em uma cela dessas, um psicológico totalmente arrasado e atrasado. 
Logo é os 30 e tão breve os 40 e de nada houve a partir da minha existência. A dúvida me devora, me devora saboreando as minhas fontes de dores e sofrimento. Me ajoelho diante o céu mas o silêncio me faz levantar de cabeça baixa e resistir a um sinal de fé. 
Até mesmo um padre me ignorou solenemente, até mesmo amigos, nunca se importaram e até mesmo a mim mesmo, assisti definhando ... Pra onde eu deveria ir ? Hoje, chorei, ontem tive vontade e antes de ontem também houve a queda de uma lágrima. Mas isso não é pra ser natural, tampouco digno de relação de superação. 
O instinto da vida é forte, assim como o medo de morrer que freia a colisão, que arrebenta a corda e que cura a overdose. Queria ter coragem, muita coragem, pra poder me restaurar aos padrões de fábrica e nada mais ... Ou simplesmente, morrer. 
Descansar, apagar, desligar e não sentir nada do que se passa aqui nesse plano horrendo. Falando em horrendo, estou morrendo aos poucos, tudo está deixando de existir, aos poucos e eu sei muito bem aonde que o fim disso tudo se dará, mas ainda assim, sigo tendo fé. Porque é o que há, e se eu por estímulo externo perder essa fé, estarei por toda eternidade condenado ao sofrimento eterno. Mas é aqui sobre essa superfície que toda a história foi contada e eu não posso me comparar com fulano ou ciclano, que um perdeu algum membro de seu corpo e o outro adoeceu até que no último dia de vida viu a paz ou um novo outro que surgiu em mente, esfomeado, desnutrido e miserável que está até hoje sofrendo exponencialmente mais do que a mim, mas há também todos aqueles que vivem suas vidas sob fortunas e família e estabilidade como um todo. Não, não posso me comparar a eles, até porque somos seres humanos e individuais e sempre estamos procurando sentido em tudo e é assim que deve ser até no último suspiro. Retalhação divina, talvez seja essa a questão ... Seriam deuses, seres vingativos e cruéis ou seriam nós, humanos, seres egoístas e odiosos ? 
Não sei ... O que sei é esse ínfimo ato de fé que acredito, fielmente, ser o suficiente para poder me alavancar pra cima e ter nos meus últimos anos de prosperidade, uma vida assim, próspera. 
Mas, infelizmente eu acho que não. A fé transcende a razão, mas ainda assim, a razão não deixa de ser apenas razão, ela dita realidades, ela constrói e ergue impérios dificílimos de serem derrubados. 
Ó Deus, estenda sua mão pra mim, olhe para mim, ajude-me a ser o que fui destinado a ser e não, nunca me abandone assim. Não sou um judas, mas sou doente por causa de mim mesmo e todas aquelas atitudes irracionais e burras e dolorosas consequências após terem sido concluídas com êxito. Ah, essa vontade de acabar com tudo ... Eu acredito que em algum momento isso vai acontecer, ó Deus, faça que não.
Essa vidinha minha é mascarada pelas drogas, pelo temor em estar sóbrio e encarar toda essa frustração acumulada ao longo dos tempos...
Eu tenho o dom de me colocar num buraco sem fim, com chamas ardentes e ventos congelantes. Ah, meu Deus ... Por que disso tudo e não simplesmente o milagre ? Milagre, eu tenho que acreditar que haverá milagre ou então será esse barco de ilusões vividas de tempo em tempo em tempo de desgosto e infelicidade e dores e muitas dores que atingem o meu peito e se transferem pela minha alma. 
Ó Deus, eu sei que o senhor está lendo isso tudo através dos meus olhos, que o senhor está sentindo o que sinto e vejo também.
Mas que isso tudo tenha um fim, porque eu não sou um homem do mal, a minha vitalidade requer bondade para permanecer em pé, virtude é o que talvez deve me faltar, mas, de tudo que há e haverá, que haja riqueza e paz. Ou simplesmente paz e esperança. O mundo é desgostoso, pra todos aqueles que sentem o frio da vida e o calor da morte, mas está agasalhado de modo ilusório confortável e também teme às chamas. 
Me refiz, me traduzi em um idioma que talvez eu tenha me enganado em ser fluente e após tudo isso, após isso tudo, ainda me descaracterizo como um Ser. 
Ó pai do céu, seja Jesus ou algum outro nome que represente messias, mas que venha a me colocar no caminho do que foi a mim pré destinado. 
Me sinto só, sinto que em lugar algum há espaço para minha presença desde que eu tenha paz comigo mesmo ... O haverá de ser se eu por mim mesmo me der por vencido, vencido, derrotado pelas condições não explicitamente da vida, mas psicológicas, porque eu sei que sou um pouco de nada é muito do pouco. Que Deus me proteja, me guie e conduza para o caminho da luz, da esperança concretizada e, acima de tudo, da paz comigo mesmo. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Protótipo de narrativa


O garoto aparentemente "atleta", cheio de vida e força, se foi. Ter uma moto, ir pra musculação, ter a liberdade da vida, tudo o que me constitua, agora não está presente. Eu ainda não superei o ocorrido daquela noite, o modo que tudo aconteceu, escancarando a minha imaturidade perante a vida. Quantas consequências que provavelmente me guiarão para um sentido totalmente inesperado - ou esperado, até - daquele que eu um dia estava vivendo. Foi tempo de mudanças, eu busquei muito por isso, me esforcei mesmo, e ainda tenho o direito de bater o peito para dizer que fiz porque insisti. Pior, eu conscientemente insisti e persisti. 
Estava tudo indo muito bem, parando para analisar agora, não havia problema algum, apenas o desejo de viver algo diferente que pudesse despertar algo adormecido dentro de mim. Mas o que poderia ser ? Talvez a minha pior versão ? Bom, pode ser ainda mais dramático: a minha última versão. Aquela versão final, onde não houve - nunca poderia haver - o "prime". Ilusões e mais ilusões, fui acumulando ilusões ao longo de um caminho novo, repleto de oportunidades, onde havia um trabalho novo e, portanto, a possibilidade de uma vida nova. Mas eu levei ao pé da letra, definitivamente ao pé da letra. Busquei em uma pessoa que mal conheço, sinto confiança e consigo me entregar, a paz. Não vivo. Tinha a rotina, o círculo social, todo um programa para viver bem; havia estabilidade emocional e racional, mas quem eu era ? 
Falando nisso, quando desempregado, no quarto, onde tudo era tão diferente, quem eu era ? A pergunta de um milhão é, quem sou eu ? Eu já sou eu ou ainda sou eu ? 
Os meus pensamentos estão desorientados, essa vida que levo sob essa névoa psicológica ... O que ser ou deixar de ser ? Foco ... Foco, estou surtando. 
O que eu faço a partir de agora ? Eu estou vivendo sobre uma falsa narrativa de que um dia serei milionário porque apostei na loteria e entre milhões de pessoas, logo eu seria o contemplado em ter uma nova chance, literalmente uma nova vida ? 
A minha situação é crítica, mas ... Dinheiro, o bom e velho dinheiro, com certeza dinheiro o suficiente para mim, poderia resolver meus problemas, 99% deles. E então eu teria paz, estabilidade emocional. 
Onde eu estou e o que estou fazendo ? Tudo está desmoronando, e isso não é se vitimizar. Veja bem, estaria eu perdendo tempo digitando todos esses pensamentos confusos e conturbados na internet, num blog onde ninguém tem acesso ?
Porra ... Já fazem 10 anos ... Estou envelhecendo, estou modificando toda a minha capacidade cognitiva, meu modo de visualizar o mundo ao redor. Sinto que em breve eu corro risco de cometer suicídio, eu sinceramente tenho medo de morrer porque a máxima de que tudo cessa após a morte, que nada há ou haverá após nossa partida, não me é muito reconfortante. E aqui as coisas ainda não acabaram ... 
Eu tenho que entender tudo isso, tenho que procurar por uma resolução, mas eu nunca fui bom nisso. 
Enfim, 10:59 agora, talvez ao anoitecer ou mesmo durante a noite eu possa retornar. Talvez eu não esteja mais vivo.

Parte II do texto acima; merece um pulo de linha pra baixo, para que nada se misture. Hoje já é dia 22 de Agosto, estou ainda deitado, o filho da minha namorada está na sala, assistindo. Eu diria que é engraçado, mas não é, não mesmo, o fato de que as vezes passa pela minha cabeça pensamentos intrusivos que fazem eu olhar para todas as direções, em diferentes contextos e tempos. Eu estava fazendo umas questões da prova da Unesp, e em meio a tantos raciocínios densos, estavam os das experiências de quando eu ainda morava com meus pais. Quando eu fiquei internado no Cantídio. Sabe, é difícil imaginar que em 2018 eu era sonhador, pensava em cursar algo, viver estudando. Em 2019 tudo desmorona mas ainda assim o sonho permanece. 2020 é a decadência, talvez. Tive oportunidade de trabalho, oportunidades é o que não me faltou. Mas devo ser sincero e dizer que eu não soube aproveitar essas oportunidades. Ao invés disso, sempre busquei por algo que pudesse me fazer mal e mesmo quando eu conseguia isso, a vida me mostrava uma outra solução, jeito de se pensar. Eu errei. Errei tão pesado, sinto que fiz simplesmente a pior escolha para toda a minha vida. 
Mas sinto também que algo muito grande, próspero, ainda me acontecerá, mesmo que seja ao final da minha vivência nesse plano. 
Não soube reparar se sempre houve uma certa perseguição por parte do número 27, mas realmente é tão aterrador ver que algo está alí mas é, no momento, simplesmente intocável. E ao final disso tudo, foi isso mesmo a resultante de se pensar que coisas boas iriam acontecer comigo ? 
Porra, perdi minha moto ... Eu amava andar de moto, ouvindo música, sentindo a liberdade da vida. E do nada, foi-se embora. Depois, academia, trabalho, tudo como se fossem areia a escorrer entre meus dedos enquanto eu apenas assisto. Toda a estabilidade que eu tinha antes e ainda assim reclamei e quis mais e quem muito quer, nada tem. Hoje estou tendo que cuidar do filho de uma mulher que estou morando junto, toda uma responsabilidade simultânea, um estresse mental e físico avassalador. Abracei a causa em ter uma família de um outro homem, decidi que ser feliz não seria o suficiente pra mim. Contas, dívidas, peso incomum, responsabilidades que não deveriam existir, e estou aqui. 
Não sei como sair. Teria que ir pra fora de algo. Socorro, ah como que gritar por socorro tornou-se tão inútil. Eu, honestamente, morri. O que sobrou aqui é toda uma carcaça desprovida de inteligência, de raciocínio sadio e de uma vida de realizações. Não sei o que faço. Estou perdido. Eu ontem conversei com Deus, mas não sei se ele me ouviu. Eu estava tomando banho. 
Eu queria me sentir importante, ter dinheiro, sim, dinheiro, bastante. Carro, casa, moto, eletrônicos, enfim, conhecer países e suas culturas. Que judiação essa vida ... Veja, toda uma vida nerfada por drogas, más companhias e vivências. Ou melhor, já nasci não sabendo viver. A vida se resumiu em uma eterna espera por algo "cair" do céu e se fazer de algum sentido para mim.
Mas, não. Não há como viver assim... 
A morte parece ser uma melhor solução, mas ela carece de arte, desejo e atração. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Concebido

E é como tudo deveria ser ? Estou numa espécie de abismo, vivendo sob uma pressão angustiante. Perdi toda a minha identidade, eu sabia que o número 27 iria representar algo realmente significativo. Não foi bom. No último dia 15/07, às 21:30 eu me acidentei, quase morri. Quebrei clavícula, escápula. Desestabilizei todo meu ombro direito. Temos não me recuperar. Sei que tudo jamais será como antes, mas me interesso em saber o quão diferente será. Abri mão de um relacionamento porque eu acreditava estar na merda, mas aí, agora estou com a Dani, a mulher que eu me apaixonei de forma espontânea e equivocadamente a trouxe pra minha vida. Contas, contas e mais contas. Dinheiro emprestado: do pai, do irmão. A moto que se foi, academia e dieta também se foram. Me configurei de um modo tão tolerável que chega a ser doloroso demais viver assim. Numa vida de questionamentos, medo do futuro e tudo mais. Estou com quase 30 anos, minha vida está estagnada. E sim, entendo que é tudo culpa minha, exclusivamente minha. Porém, há fatores envolvidos que realçam essa premissa. 
Vou ter que ficar meses afastado do meu trabalho, tudo que me constituía, se foi. Eu me fui. É o karma, talvez, ou apenas uma fase absolutamente horrível que estou vivendo. Definitivamente sem amigos, sem nada. 
Perdi a minha fé, acredito eu. 
Que droga. Estou levemente sedado.
E se tudo for possível, afinal ? Digo, questão de perspectiva: há divergências sobre a interpretação de mundo. O que foi falado até agora, nada mais é que apenas uma face da moeda. A outra podemos interpretar do seguinte modo: uma nova chance de fazer tudo diferente. E se foi isso que eu pedi a Deus, afinal ? 
Uma segunda chance, mais uma tacada, um movimento. Mas as maneiras são estranhas, dolorosas. Poderia tudo ter sido muito pior, mas ainda assim foi pesado. 
Sinto falta de mim de uma vida que não vivi. 
Ah como que a vida passa rápido, né ... Tudo parece que foi há pouco tempo, mas quando para pra analisar com atenção, foi há tempos. Os dias estão ficando cada vez mais curto, os anos vindo rápido demais. 
Fiquei meses sem postar aqui, mas é assim que é para ser. Raramente, quando houver algum estopim, algo interessante prestes a vir à tona. 
Enfim, eu todo arrebentado aqui, agora vejo a relevância que tenho neste mundo: nenhuma. Nem uma significância. Os "amigos" viraram as costas, nem me dão atenção. Eu precisava, digo, no fundo do meu coração, eu sei que, de fato, eu precisava de um sacode. As coisas estavam estagnadas demais, tudo rodando perfeitamente pra lugar algum, como se eu estivesse vivendo num automático definhando cada vez mais. 
O filho dela, Vitor, acabou de perguntar pela mãe - nem eu sei onde ela está - e perguntou também se poderia deitar comigo. Claro que eu disse que sim, mas não vejo que sou relevante. Ele está deitado aqui do meu lado. É bonzinho demais, eu ... Eu não sei por que sou tão ruim, por que tudo me estressa e desagrada. Um poço de insatisfação contínua. É uma dor preta e branca, incolor. A verdade é que não tenho nada, tenho tudo, a vida é pouca e insuficiente para ser concebida atrás de falsa felicidade, vida teatral.
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Contemplar

Então aconteceu no dia 25/02/25. Coloquei um ponto final no relacionamento com a Ana. Quase três anos juntos, vivendo juntos, nos divertindo juntos. Muitos bons momentos com ela, poucos momentos ruins com ela. Menina fiel, companheira e amiga. Uma verdadeira raridade nos dias de hoje. E eu simplesmente quis abrir mão disso. Mas, por que ? Eis a questão. Vocês acham que eu não sei o que estou fazendo ? Claro que sei. E sei muito bem. 
Embora ela tenha todas essas maravilhosas qualidades, era também uma pessoa na qual me entregava um conforto estagnado, como se eu fosse um grande predador dentro de um ambiente meticulosamente cuidado para me manter vivo, sob as melhores condições possíveis de vivência. Mas é aí o pulo do gato: um grande predador, se soubesse que está preso - simplesmente esse fato - e ainda que pudesse sair por um caminho não tão secreto, continuaria a viver sob aquelas boas condições de confinamento ? Eu acredito que não. E eu fui esse predador. Tudo estava bem, mas no fundo do meu coração, não estava. Embora eu tenha um amor imenso por ela, desejar todo o bem possível pra ela, eu não a mais queria em minha vida. Não consegui enxergar um futuro promissor com ela, só me via parado no tempo a vagar eternamente vírgula até que eu morresse. 
O jeito que abordei a ideia, foi muito repentina. Fui para a academia e quando voltei simplesmente a acordei e em poucos minutos comecei a falar. Parei pra refletir um pouco e cheguei numa conclusão repentina de que acredito que ela já quisesse o mesmo, mas não teve coragem nem a iniciativa de fazê-lo. Porque também feliz ela não estava, me cobrava atenção constantemente, eu a ignorava, preferia estar em outros lugares do que com ela, enfim, criei na verdade uma rotina muito ruim para mim mesmo. Gastando muito dinheiro com maconha, monster, palheiros, gasolina ... O meu circo social foi um dos de pior qualidade possível: Henry, garoto de 19 anos que só presta pra fumar maconha. Tala, 21 anos, só fuma cigarro/palheiro e toma monster. Bonoto, mesma coisa. Nina, igualmente. Livia, apareceu em raras ocasiões e mesmo nessas breves apariçãos, segue o contexto dos anteriores. Enfim, muito tempo perdido, quando eu poderia estar lendo um livro, estudando, assistindo algo do meu interesse, dormindo ou fazendo qualquer outro tipo de atividade. 
Não dava mais pra continuar uma vida tão pacata assim, me afundando cada vez mais. O problema, lógico, sou eu. Eu sou o problema. Veja bem, agora tem a Danieli, vamos analisar o contexto dessa mulher: 31 anos, recém divorciada, ainda pendendo se volta ou não com o rapaz. Tem um filho de dez anos. Vou abrir meu coração aqui pra vocês agora: confio nela ? Não. Sinto que ela pode me prejudicar ? Sinto. Sinto que ela gosta de fazer jogos de desinteresse ? Sim. Então, por que cargas d'água continuo saindo com ela ? Um breve preenchimento momentâneo-emocional ? Do que eu não gosto ? De me sentir rejeitado. Não gosto de rejeição. De desaprovação. Sou estranho, ao mesmo tempo que quero chamar a atenção, quero ser despercebido. Ao mesmo tempo que curto quando os holofotes estão direcionados a mim, gosto também quando estou sentado lá no fundo do cinema, na parte mais escura e menos visível. Enfim. A Danieli não vai virar nada, será apenas perda de tempo, dinheiro e terei estresse atoa. Ao invés disso, o melhor é eu focar em mim mesmo, no meu desenvolvimento pessoal, como um ser humano. A famosa busca incessante para ser um homem melhor. E então voltei a morar com meus pais, espero de verdade que surja alguma oportunidade de casa de aluguel pra eu cair fora daqui e viver a minha própria vida. Morar sozinho não deve ser fácil, mas é honroso. 
Só gostaria de relatar mais uma coisinha: acho incrível como que as coisas vão acontecendo e o modo que vão acontecendo. Perdi meu celular, derrubaram a minha moto, algumas pessoas mais próximas do trabalho se afastaram, sinto que ganhei volume muscular e tenho pensado mais no meu pai ultimamente. Não sei, mas cada ação, evento, causas e consequências, parecem estar de algum modo sendo influenciados por uma força maior. Agora um colega me disse: vai na igreja comigo. Mas e se isso foi apenas um: Norton, vá se confessar. Um antigo colega disse que foi se confessar e coisas boas aconteceram com ela. Bom, sou cético, mas aberto para perspectivas diferentes. Não que eu queira ir só pra passar a ter uma boa vida, mas sim para ver a transformação interna que pode me fazer ter. Estaria na religião a real salvação ? Eu quero acreditar que não. Não pode ser assim ... Digo, há pessoas más que matam em nome de Deus e pessoas boas que não acreditam em sua existência. 
As vezes eu me acho bom mas as vezes eu também me acho mau. Independente do que eu sou, era, estou sendo ou posso ser, deixar de ser e até mesmo vir a ser, quero, acima de tudo, acreditar que há esperanças e algo magnífico está me esperando. Contudo, preciso - antes de mais nada - contemplar uma versão melhor, única, de mim mesmo. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Espera

Uma espera eternizada, uma vida desperdiçada. Uma ferida profunda que se recusa a se curar, erros que persistem em cada vez mais se aperfeiçoar. Novos caminhos aparecendo, caminhos onde a luz é impenetrável, onde a vegetação é favorecida pelos espinhos, pela selvageria da vida. 
Nunca vou me entender por completo, é um esforço em vão tentar. Não estou preparado, nunca estive e jamais estarei. Minhas próprias preocupações, meus próprios ferimentos. A espera por um milagre num contexto ateísta. A independência emocional, a carência por atenção alheia, o devaneio por essa jornada sem sentido algum. É como se eu pudesse ver a esperança, conhecer ela, mas não poder nunca tocar. Um esforço em vão. 
Poderia eu conseguir cavar mais fundo esse buraco para poder me enterrar de vez ? A melancolia que me atrai, as escolhas que me condenam antes mesmo de serem tomadas. Quem poderia me ajudar ? Não consigo fazer isso sozinho, não consigo ser melhor. A busca pelo aperfeiçoamento como pessoa é muito teórica, na prática, essa teoria é completamente diferente. 
Deus pode e olha por mim, mas por que me coloca nessa posição tão delicada na beira de um penhasco onde o vento é de centenas de km/h ? É desafiante acordar esperançoso quando isso se torna rotina. A preocupação, são tantas. 
Esse blogue só fará sentido quando eu cometer o suicídio e me for de vez e alguém encontrar essa merda toda para se divertir ou fazer um roteiro sombrio ao mesmo tempo em que é cômico.
Estou aqui, sentado, esperando. Esperando sentado. E não vem, nada vem. Ninguém se importa. No final, a relevância é mínima. É dolorosa, é constantemente presente. Dependendo de mim mesmo para se resolver, como seria isso possível se sou tão fraco, tão desprezível. 
Nunca, ninguém virá por mim. Sequer detenho o direito de cobrar por isso, cobrar atenção e reciprocidade, afinal, é tudo proibido, tudo muito embaçado nesse caminho. Sobreviver dentro do subconsciente é como estar numa selva extremamente perigosa, com apenas os braços e a mente. Acenderam a luz, mas não vieram e eu cá estou sozinho, ainda, na escuridão. O verdadeiro interrupor terá que vir de mim, para finalmente apagar o que vem ofuscando. 
Dando uma continuidade algumas horas após o último ponto final dessa publicação, sentado aqui em um outro lugar ainda sozinho, pensando e refletindo melhor, acho que está acontecendo o que eu no mais profundo do meu coração queria: a volta da melancolia e insignificância, a constante crise existencial. Sei que se suceder os eventos que tanto desejo, tudo acabará sendo igualmente semelhante. 
Enfim voltarei aqui em alguns dias.