sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Protótipo de narrativa


O garoto aparentemente "atleta", cheio de vida e força, se foi. Ter uma moto, ir pra musculação, ter a liberdade da vida, tudo o que me constitua, agora não está presente. Eu ainda não superei o ocorrido daquela noite, o modo que tudo aconteceu, escancarando a minha imaturidade perante a vida. Quantas consequências que provavelmente me guiarão para um sentido totalmente inesperado - ou esperado, até - daquele que eu um dia estava vivendo. Foi tempo de mudanças, eu busquei muito por isso, me esforcei mesmo, e ainda tenho o direito de bater o peito para dizer que fiz porque insisti. Pior, eu conscientemente insisti e persisti. 
Estava tudo indo muito bem, parando para analisar agora, não havia problema algum, apenas o desejo de viver algo diferente que pudesse despertar algo adormecido dentro de mim. Mas o que poderia ser ? Talvez a minha pior versão ? Bom, pode ser ainda mais dramático: a minha última versão. Aquela versão final, onde não houve - nunca poderia haver - o "prime". Ilusões e mais ilusões, fui acumulando ilusões ao longo de um caminho novo, repleto de oportunidades, onde havia um trabalho novo e, portanto, a possibilidade de uma vida nova. Mas eu levei ao pé da letra, definitivamente ao pé da letra. Busquei em uma pessoa que mal conheço, sinto confiança e consigo me entregar, a paz. Não vivo. Tinha a rotina, o círculo social, todo um programa para viver bem; havia estabilidade emocional e racional, mas quem eu era ? 
Falando nisso, quando desempregado, no quarto, onde tudo era tão diferente, quem eu era ? A pergunta de um milhão é, quem sou eu ? Eu já sou eu ou ainda sou eu ? 
Os meus pensamentos estão desorientados, essa vida que levo sob essa névoa psicológica ... O que ser ou deixar de ser ? Foco ... Foco, estou surtando. 
O que eu faço a partir de agora ? Eu estou vivendo sobre uma falsa narrativa de que um dia serei milionário porque apostei na loteria e entre milhões de pessoas, logo eu seria o contemplado em ter uma nova chance, literalmente uma nova vida ? 
A minha situação é crítica, mas ... Dinheiro, o bom e velho dinheiro, com certeza dinheiro o suficiente para mim, poderia resolver meus problemas, 99% deles. E então eu teria paz, estabilidade emocional. 
Onde eu estou e o que estou fazendo ? Tudo está desmoronando, e isso não é se vitimizar. Veja bem, estaria eu perdendo tempo digitando todos esses pensamentos confusos e conturbados na internet, num blog onde ninguém tem acesso ?
Porra ... Já fazem 10 anos ... Estou envelhecendo, estou modificando toda a minha capacidade cognitiva, meu modo de visualizar o mundo ao redor. Sinto que em breve eu corro risco de cometer suicídio, eu sinceramente tenho medo de morrer porque a máxima de que tudo cessa após a morte, que nada há ou haverá após nossa partida, não me é muito reconfortante. E aqui as coisas ainda não acabaram ... 
Eu tenho que entender tudo isso, tenho que procurar por uma resolução, mas eu nunca fui bom nisso. 
Enfim, 10:59 agora, talvez ao anoitecer ou mesmo durante a noite eu possa retornar. Talvez eu não esteja mais vivo.

Parte II do texto acima; merece um pulo de linha pra baixo, para que nada se misture. Hoje já é dia 22 de Agosto, estou ainda deitado, o filho da minha namorada está na sala, assistindo. Eu diria que é engraçado, mas não é, não mesmo, o fato de que as vezes passa pela minha cabeça pensamentos intrusivos que fazem eu olhar para todas as direções, em diferentes contextos e tempos. Eu estava fazendo umas questões da prova da Unesp, e em meio a tantos raciocínios densos, estavam os das experiências de quando eu ainda morava com meus pais. Quando eu fiquei internado no Cantídio. Sabe, é difícil imaginar que em 2018 eu era sonhador, pensava em cursar algo, viver estudando. Em 2019 tudo desmorona mas ainda assim o sonho permanece. 2020 é a decadência, talvez. Tive oportunidade de trabalho, oportunidades é o que não me faltou. Mas devo ser sincero e dizer que eu não soube aproveitar essas oportunidades. Ao invés disso, sempre busquei por algo que pudesse me fazer mal e mesmo quando eu conseguia isso, a vida me mostrava uma outra solução, jeito de se pensar. Eu errei. Errei tão pesado, sinto que fiz simplesmente a pior escolha para toda a minha vida. 
Mas sinto também que algo muito grande, próspero, ainda me acontecerá, mesmo que seja ao final da minha vivência nesse plano. 
Não soube reparar se sempre houve uma certa perseguição por parte do número 27, mas realmente é tão aterrador ver que algo está alí mas é, no momento, simplesmente intocável. E ao final disso tudo, foi isso mesmo a resultante de se pensar que coisas boas iriam acontecer comigo ? 
Porra, perdi minha moto ... Eu amava andar de moto, ouvindo música, sentindo a liberdade da vida. E do nada, foi-se embora. Depois, academia, trabalho, tudo como se fossem areia a escorrer entre meus dedos enquanto eu apenas assisto. Toda a estabilidade que eu tinha antes e ainda assim reclamei e quis mais e quem muito quer, nada tem. Hoje estou tendo que cuidar do filho de uma mulher que estou morando junto, toda uma responsabilidade simultânea, um estresse mental e físico avassalador. Abracei a causa em ter uma família de um outro homem, decidi que ser feliz não seria o suficiente pra mim. Contas, dívidas, peso incomum, responsabilidades que não deveriam existir, e estou aqui. 
Não sei como sair. Teria que ir pra fora de algo. Socorro, ah como que gritar por socorro tornou-se tão inútil. Eu, honestamente, morri. O que sobrou aqui é toda uma carcaça desprovida de inteligência, de raciocínio sadio e de uma vida de realizações. Não sei o que faço. Estou perdido. Eu ontem conversei com Deus, mas não sei se ele me ouviu. Eu estava tomando banho. 
Eu queria me sentir importante, ter dinheiro, sim, dinheiro, bastante. Carro, casa, moto, eletrônicos, enfim, conhecer países e suas culturas. Que judiação essa vida ... Veja, toda uma vida nerfada por drogas, más companhias e vivências. Ou melhor, já nasci não sabendo viver. A vida se resumiu em uma eterna espera por algo "cair" do céu e se fazer de algum sentido para mim.
Mas, não. Não há como viver assim... 
A morte parece ser uma melhor solução, mas ela carece de arte, desejo e atração. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Concebido

E é como tudo deveria ser ? Estou numa espécie de abismo, vivendo sob uma pressão angustiante. Perdi toda a minha identidade, eu sabia que o número 27 iria representar algo realmente significativo. Não foi bom. No último dia 15/07, às 21:30 eu me acidentei, quase morri. Quebrei clavícula, escápula. Desestabilizei todo meu ombro direito. Temos não me recuperar. Sei que tudo jamais será como antes, mas me interesso em saber o quão diferente será. Abri mão de um relacionamento porque eu acreditava estar na merda, mas aí, agora estou com a Dani, a mulher que eu me apaixonei de forma espontânea e equivocadamente a trouxe pra minha vida. Contas, contas e mais contas. Dinheiro emprestado: do pai, do irmão. A moto que se foi, academia e dieta também se foram. Me configurei de um modo tão tolerável que chega a ser doloroso demais viver assim. Numa vida de questionamentos, medo do futuro e tudo mais. Estou com quase 30 anos, minha vida está estagnada. E sim, entendo que é tudo culpa minha, exclusivamente minha. Porém, há fatores envolvidos que realçam essa premissa. 
Vou ter que ficar meses afastado do meu trabalho, tudo que me constituía, se foi. Eu me fui. É o karma, talvez, ou apenas uma fase absolutamente horrível que estou vivendo. Definitivamente sem amigos, sem nada. 
Perdi a minha fé, acredito eu. 
Que droga. Estou levemente sedado.
E se tudo for possível, afinal ? Digo, questão de perspectiva: há divergências sobre a interpretação de mundo. O que foi falado até agora, nada mais é que apenas uma face da moeda. A outra podemos interpretar do seguinte modo: uma nova chance de fazer tudo diferente. E se foi isso que eu pedi a Deus, afinal ? 
Uma segunda chance, mais uma tacada, um movimento. Mas as maneiras são estranhas, dolorosas. Poderia tudo ter sido muito pior, mas ainda assim foi pesado. 
Sinto falta de mim de uma vida que não vivi. 
Ah como que a vida passa rápido, né ... Tudo parece que foi há pouco tempo, mas quando para pra analisar com atenção, foi há tempos. Os dias estão ficando cada vez mais curto, os anos vindo rápido demais. 
Fiquei meses sem postar aqui, mas é assim que é para ser. Raramente, quando houver algum estopim, algo interessante prestes a vir à tona. 
Enfim, eu todo arrebentado aqui, agora vejo a relevância que tenho neste mundo: nenhuma. Nem uma significância. Os "amigos" viraram as costas, nem me dão atenção. Eu precisava, digo, no fundo do meu coração, eu sei que, de fato, eu precisava de um sacode. As coisas estavam estagnadas demais, tudo rodando perfeitamente pra lugar algum, como se eu estivesse vivendo num automático definhando cada vez mais. 
O filho dela, Vitor, acabou de perguntar pela mãe - nem eu sei onde ela está - e perguntou também se poderia deitar comigo. Claro que eu disse que sim, mas não vejo que sou relevante. Ele está deitado aqui do meu lado. É bonzinho demais, eu ... Eu não sei por que sou tão ruim, por que tudo me estressa e desagrada. Um poço de insatisfação contínua. É uma dor preta e branca, incolor. A verdade é que não tenho nada, tenho tudo, a vida é pouca e insuficiente para ser concebida atrás de falsa felicidade, vida teatral.