sábado, 25 de julho de 2026

Devaneio esCulpado

 
São quase 03h da manhã, está chovendo e a frequência da queda dos raios está relativamente agradável. Claro, o trovão que sucede a claridade também protagoniza um excepcional momento de reflexão. Estive pensando no passado, como sempre faço, e isso é muito ruim, pois me faz sentir mal comigo mesmo. No entanto, nos últimos dias eu tive uma epifania e consegui me lembrar de momentos quando eu era muito pequeno, talvez 4 ou 5 anos de idade e desde lá, eu era uma criança promissora na questão de dificultar a vida de todos ao meu redor, especialmente, a minha. Digo, revolta, reações extremamente impulsivas e uma distorção da realidade e de mim mesmo que chega a ser enquadrado numa espécie de diagnóstico psiquiátrico. Desde criança, estive convivendo comigo mesmo e meus pecados, meus maiores e mais tenebrosos que ninguém se faz ideia a não ser eu mesmo. Prefiro assim, conviver com essa tonelada de desgraças ao colocá-la sobre qualquer pessoa. Meu temperamento agressivo sempre foi manifestado desde cedo, quando revoltava-me aos pequenos detalhes tão significativos e belos dessa vida. Toda a desgraça que causei na vida de todas as meninas que se atreveram a me tocar e todas as más amizades masculinas, sempre alguém invejoso, alguém mal intencionado, alguém que, de algum modo direto ou indireto, esteve comigo para simplesmente fazer mal e/ou praticar o mal. 
Possa ser que a teoria de que tudo isso é um tipo de karma tenha caído ao chão, agora que meu pensamento focaliza nos detalhes dos primeiros momentos de minha existência. Quero dizer, há pessoas que nascem com o dom de serem elas mesmas, conseguem dialogar bem e interagir. Há gente que nasce vencendo, que nasce ganhando muita educação e carinho e também dinheiro, toda uma construção muito bem sólida e há aqueles que, iguais a mim e até piores, nascem apenas para parasitar sobre a Terra. O namorado da minha irmã, o menino é muito bonzinho, tem apenas 21 anos e já tem um carro de quase 200 mil reais, uma moto zero km e algumas casas. Eu, até um tempo atrás, invejaria ele por ter isso tudo ... Mas, isso seria um pecado. Veja bem, conheci um rapaz que usava muita droga, comigo, inclusive. Era até pior que eu e hoje, está morando em outro estado, ganhando muito dinheiro e até pai já é. Conheço pessoas que humilhei - mesmo que não fosse a intenção no momento - e hoje vivem melhor do que eu poderia imaginar um dia poder viver. Meus irmãos, ambos terão seu diploma em mãos, ensino superior. Eu ... Eu que fiquei anos estudando dentro do quarto enquanto meu pai saía pra trabalhar de noite, eu que "pagava de intelectual", comecei uma faculdade e não terminei. Minha vida toda foi, talvez, o início com o fim prematuro. Meus atos, minhas ganancias, vícios e descontroles emocionais, tudo isso me devorou por completo ao longo do tempo, até os dias de hoje. Bom, onde quero chegar com esses exemplos ? Eu tenho essa natureza escrota e eu acredito que devo aceita-la o quanto antes, para só assim, toda essa angústia cessar. Sempre fui alguém ruim, não como ser humano no modo geral, mas ... uma máquina ruim que há quem goste, mas ... é ruim. E está tudo bem ... Aos poucos tudo está ficando mais claro e isso tem sido libertador, embora às vezes eu sinta todo o peso do sistema solar em mim. Anteriormente, estava falando sobre pessoas que trabalharam duro para construir. Que usaram do bom senso, do socioeconômico vigente para se equilibrar. Eu poderia culpar meus pais por não terem estudado o suficiente, não serem formados ou não terem ido em busca de construção de patrimônio, mas, não, jamais. Me lembro bem, antes mesmo do meu irmão nascer, quando ainda eu era filho único, lembro de minha mãe me tratando muito bem, meu pai também. Tive uma infância muito boa, fui feliz, tive diversão e lembro do meu pai comprando tudo que sempre esteve ao alcance dele pra mim. Sou tão grato por tudo isso. Há uns dias eu estava indo embora quando passei pelo ponto e vi meu pai sentado, sozinho, ali em frente do posto de saúde. Sempre esteve ali e eu vendo aquela cena, me corroeu em amargura contra mim mesmo, em um desprezo imensurável para com minha personalidade. Eu deveria ter dado algo ao meus pais, não eles mais nada a mim. Deveria tá eu cuidando deles, ajudando com dinheiro, mas, não ... Vivo constantemente com meus vícios sozinho em uma casa de fundo que, colocando assim, pareço estar numa pior, mas, não, não mesmo. Estou muito bem, tendo em vista todas as possibilidades que poderiam hoje serem fatídicas. Sobre este planeta, declaro que, em meu nome, Victor Mateus Palma, ninguém mais tem culpa alguma a não ser eu. Todas, absolutamente todas as pessoas que já passaram por minha vida, que vocês todos e todas fiquem sabendo: eu sou o único responsável por qualquer merda que tenha acontecido de ruim, justamente porque não soube nunca meditar minhas razões para dosar nas ações, sempre fui primitivo nessa questão saber viver e quando falo em viver, me refiro a fazer o certo, fazer o bem. Às vezes, apenas fazer. Todos os demais - ou mesmo uma ou mais dessas pessoas - que tenham tido sucesso em suas vidas, seja com empregos ou construção de um núcleo familiar, desejo a eles todos tudo de bom e do melhor. Que realmente vençam e façam de suas vitórias, uma conquista eternizada que outrora fora em busca de si próprio. Eu ainda continuo nessa e duvido muito que encontrarei a reposta. Não há muito mais para mim, a aceitação para definitivamente me encontrar em paz comigo mesmo, tem como resultante a inexistência de qualquer fragmento de força de vontade e desejos sólidos, se caso eu ir de contra a mãe natureza, erros e severas consequências terei, obviamente. Então, vou aceitar - devo - que a natureza me envolva com sua essência e me reconstitua cada dia em um ser superior, não aos meus semelhantes, mas a mim mesmo, porque meu inimigo e tudo que luto contra, está aqui, em mim. 
Pensando que fiz 27 anos no dia 27 de outubro de 2024 e me acidentei no dia 15 de julho de 2025, foram 9 meses de 27 anos ... Praticamente uma gestação. Curioso pensar nisso e mais ainda, triste por notar o tamanho da estupidez com que lido com minha própria vida. A chuva continua, deu uma acalmada ... Estou lendo o lobo da estepe. 
Estou também com uma caixinha de sertralina aqui lacrada. Estou pensando em começar a tomar, mas não sei muito bem como e quando, talvez, na próxima semana. Mas, confesso que estou com um pouco de medo, porque sempre que começo a fazer isso, algo acontece. Independente de bom ou ruim, algo sempre acontece. Mas tenho que parar com meus vícios, e quando falo vícios, não me refiro a drogas ou mulheres, somente, mas também ao vício de olhar pra trás e ficar parado e caminhar por 6 passos e tomar a mesma atitude. 
Aarh, eu só não quero ser um horror de pessoa ... Queria dar mais felicidades às pessoas ao meu redor e a mim mesmo, mas não sei como fazer isso. Já me disseram que eu tenho muita energia acumulada e que era pra sair conhecer todo o mundo e ir estudar, etc ... eu até gostaria de que isso fosse possível, mas aí paro pra pensar sobre como sou, que o mundo não me merece não porque sou bom demais pra ele, mas pela ideia totalmente contrária: sou péssimo para esse mundo.
Eu gostaria de fazer alguma diferença em algo, pensou, se eu fosse ovacionado por 2 pessoas, apenas, mas que fossem ovações genuínas. Disseram tchau para mim e não olharam pra trás, eu gostaria de ser assim também, mas não consigo. A ideia de ter quase 30 anos e atualmente uma pequena moto, morando numa casa alugada e sem perspectiva alguma de mudança de vida, me mata aos poucos e eu faço disso um suicídio gradual. 
Tudo isso é volátil, solúvel e de dissociação repentina. Me perdi demais e jamais me encontrarei ... Dias mentalmente difíceis, há uma semana morria uma menina muito dócil e legal que tive o prazer de conhecer, talvez em meados de 2012 ou início de 2013, ela tenha ido em casa e eu a beijei. Morreu subitamente, dentro de um hospital, ironicamente, pois até onde sei, estava lá acompanhando sua mãe. Fiquei muito sentido pela partida dela, via as fotos dela com seu namorado sempre com um gol quadrado, juntos e felizes, inclusive fotos deles no bosque. Ela era bonita e muito legal, até onde a conheci. É por esses eventos aleatórios que me indago com a questão de propósito de vida, questões existenciais e tudo que possa ser tingido por interrogações. Última vez que a vi, não tenho certeza absoluta, mas, talvez, e é um talvez generoso, que a vi no hospital quando eu estava com dengue, eu acho, no início de 2025. Conversei com ela uma última vez não há muito tempo pelo Instagram ... Enfim, que droga. Ela não deveria ter ido cedo, tinha minha idade e com toda certeza do mundo, muito mais prazer em desfrutar da vida do que eu. Mas esses eventos aleatórios são imprevisíveis e podem acometer literalmente a todos nós, cedo ou mais tarde haveremos de ir. Que essa dócil menina encontre a paz onde quer que esteja, ela merece. 
Quis citar o ocorrido porque realmente ela era legal e foi injustiça da vida ter feito isso. Protesto firmemente com vil rancor sobre essa decisão da natureza, mas, com o resquício suficiente de compreensão. Agora, falando sobre ela, a natureza, preciso que haja redirecionamentos para eu conduzir minha vida. Dia 29 tenho retorno ao médico, o braço ainda está com aquela pequena fístula que não fecha, meu direito ao afastamento remunerado vai até dia 30/12 e aí ? Estou me sentindo gordo, pesado, flácido, burro, ignorante, tenso, inseguro, inseguro, inseguro três vezes porque estou muito inseguro comigo mesmo, a vida que atormento antes de enfrentar um supermercado, uma reunião em família, é absurdo de incoerente. Estou vivendo todo o rebote do que não era antes: tinha motona, dieta, musculação. Hoje, nada disso tenho e ... que diabos estou dizendo, afinal ? Motos só me fodeu, principalmente na parte financeira. Amizades de merda que só me afundaram - volto a dizer que eles não tem culpa, mas, sim, eu por ter oferecido a minha presença a eles e nunca ter questionando e se eu o fizera, caguei para a conclusão, se essa fosse ativamente a favor do afastamento dessa gente. Na verdade, parece que tenho um tipo de leme que me conduz diretamente à merda. 
Tenho raiva dentro de mim ... tenho medo dentro de mim ... tenho muitos desclassificados do que seria constituinte de um bom ser humano ou tudo isso é também uma ilusão e eu já não sei mais diferenciar o que é real e o que está aqui, vivendo dentro de mim, comigo ? 
Não sonho mais ... Talvez seja por causa dos fumos, mas dormir sem sonhar é experimentar a morte todas as noites, uma vez que só há o desligamento de tudo, todos os sentidos ... Ainda que não seja ruim, a ilusão em sonhar e experimentar um realidade alternativa pode ser interessante, ainda que, em essência, seja de total indiferença, no final das contas. 
Faltam apenas 5 meses para o ano acabar, parece que foi ontem que fui na virada de 2025 para 2026, minha ex namorada, a Dani e meus pais, lá na avenida nova ... Ainda que tenha sido legal, me alivio em saber que não pertenço mais a ela e nem ela a mim, o peso na minha consciência em ter uma família já feita que não por mim, uma pessoa que exalava mais atitude, autonomia e inclusive maturidade que eu, enfim, que era melhor do que eu em tudo e em tudo eu me achava inferior, bom, é, realmente bom ter tido um fim nisso. Estou há uns 4 meses morando sozinho e vejo que terminarei assim, sem família por criar, filho, mulher. Que eu tenha paz antes de partir também desse mundo. E mais importante, que eu encontre as respostas para minhas perguntas e se não encontrá-las, que então de algum modo aja justiça, não em meu nome, pois eu sou ninguém e esquecido por todos e ignorado por muitos, mas justiça pelo fluxo da mãe natureza e, quando assim coloco, me refiro com certeza às mãos de Deus. 
Não sei, mas seria interessante alguém lendo isso tudo quando eu não estiver mais por aqui ... Quem seria o leitor ? Talvez nem haja, o celular tenha se danificado por completo. Históricos, sistemas de buscas, o Norton, nossa, descobririam tantas, mas tantas coisas desconcertantes sobre mim. É como ver um homem sem a pele, só com a musculatura toda aparente, uma aberração, embora seja de naturalidade tão simples e honesta quanto o crepúsculo que sucede o mais belo pôr do Sol.



segunda-feira, 18 de maio de 2026

Retocando memórias


Parece que o tão aguardado momento começou. Talvez, mais do que aguardado, o mais necessário e potencialmente transformador. Meu último relacionamento chegou ao fim bem antes de termos parado de nos ver. Após o meu acidente, tudo mudou radicalmente dentro de mim. A maneira como eu me enxergava e como interpretava o mundo ao meu redor foi totalmente transformada e, mais do que isso, moldada - até os dias atuais - lentamente, para que eu além de assistir, também sentisse cada instante da transformação. 
Morando sozinho, desprovido de qualquer desatenção alheia e conversas irrelevantes, agora o destino me oferece numa bandeja de solitude e esperança uma nova reviravolta. A restauração do eu agora moldado pela angústia, decepção e dor, fomenta uma nova versão que talvez eu jamais poderia imaginar que pudesse existir em meio a tantas coisas ruins que aconteceram simultaneamente comigo. 
Estou com a memória prejudicada, a atenção afetada e com bastante sono, mesmo tendo dormido toda a manhã até a tarde. Único momento que esse ano estou mais aguardando é o lançamento do GTA 6, dá pra acreditar nisso ? Um jogo de vídeo game. Mas é muito mais do que isso, digo, antes de eu ser quem eu costumava a ser antes do meu acidente, eu era um jovem que amava jogar video games - talvez eu nunca tenha falado disso aqui. Ganhei meu primeiro PlayStation, o PlayStation 1 em meados de 2002 ou 2003, não me lembro muito bem, mas lembro de jogar vários jogos que eu realmente amava, como o test drive 6, NFS Porsche Unleashed, Driver 2, jogos de futebol que eu não vou saber dizer o nome agora e também o saudoso Vigillant 8. Época boa, eu fui uma criança muito feliz. Lembro-me de ir com meu pai buscar esse vídeo game durante a noite, o vendedor - que morava na cohab, rua 3 e seu filho se chamava Vagner - foram até em casa fazer a instalação. É uma vaga memória que jamais esquecerei. Ironicamente, alguns anos depois, eu iria ter uma "apaixonite" pela Thais, viveria num triângulo amoroso, pois o Vagner também gostava dela. Destino ironizando a mim ou mera coincidência ? As vezes a matemática não faz muito sentido, principalmente quando queremos atribuir significado a tudo. Enfim, o meu próximo vídeo game, o PlayStation 2, lembro exatamente também como que aconteceu ... Meu pai havia ido me buscar na escola, E.E João Tuschi - lembro-me de escrever exatamente o nome da escola assim e colocar a data, 2006, 2007 - quando passamos em frente ao estabelecimento que vendia botijão de gás - o falecido Carlinhos ficava sentado lá fora - meu pai falou: lá em casa tem um PlayStation 2 te esperando. Imediatamente fui correndo, subi na beirada da cama e abri o guarda roupa para pegar o vídeo game. Lembro do meu pai instalando e meu irmão chorando que queria jogar comigo e eu bravo porque nem instalado havia sido, cômico. Joguei muito, lembro-me que antes de tê-lo, jogava no do meu primo Rafael & Ricardo, lá no bosque, época simplesmente maravilhosa também. Consigo sentir o cheiro de pão de forma com manteiga esquentado na frigideira e um copo de leite com achocolatado. Então, parte daí a neura por GTA. Dentre os jogos que eu jogava MUITO no PS2 - PES, os Need for Speed, Sonic Unleashed, Resident Evil 4, Tony Hawk American Wasteland - muitos outros que não me lembro agora, o que eu mais joguei foi o GTA San Andreas. Meu Deus, como que eu joguei. Consigo me lembrar das músicas, dos sons dos carros, tiros e tudo, absolutamente tudo. Não muitos anos de passaram, meu pai me deu um computador, de primeira vez, sem placa de vídeo, até que posteriormente ele comprou uma, Geforce 9500GT. Placa relativamente fraca pra época, 2010, mas rodava muitos jogos e me proporcionou muita diversão. Lembro que joguei muito o Resident Evil 5, Skyrim, Call of Duty (vários), Battlefield, NFS, Far Cry, enfim, nessa época, estávamos na era do PlayStation 3, mas custava um absurdo, então saiu mais vantajoso comprar o PC. Enfim, entre os jogos que joguei no computador, joguei muito, mas muito mesmo, o GTA IV. Meu Deus, como que eu amava esse jogo. Adorava mesmo, jogava por horas, só parava pra ir pra escola e dormir, época muito boa. Uma ressalva que eu gostaria de deixar aqui, em 2014, na férias de julho, eu e meu irmão passamos todos os dias e noites jogando - ele no Xbox 360 e eu no PC - o Skyrim, que jogo fenomenal. Vira e mexe nós comentamos sobre essa época que passamos jogando. Um amigo que mora lá em frente da casa dos meus pais, o Deivid, ia em casa e ficava horas lá, às vezes jogávamos Yu-Gi-Oh também, mas em cartas físicas, não no vídeo game. E ele ficava lá conosco, vendo eu jogar no PC - ele não gostava de jogar. Enfim, 2013, 2014 foi mais ou menos assim, depois comecei a namorar a Luara, Mr. Moura, eu às vezes a chamava. Aí, me afastei do Deivid e dos jogos, embora ainda jogávamos guitar hero 3 no Xbox 360 do meu irmão e algumas vezes ela jogava The Sims 3, eu acho, no meu computador. Aliás, nesse computador, no HD, deve ainda ter MUITAS fotos nossas e pastas de músicas, álbuns ... Bom, voltando ao foco, o GTA IV foi um jogo que realmente me marcou muito, assim como o Skyrim. Em 2013, houve o lançamento do GTA V, lembro-me de estar tão ansioso pra jogar, via vídeos dos trailers e ficava alucinado em colocar as mãos logo. Deu certo, lançou e joguei no Xbox do meu irmão. Nem sei quantas vezes eu joguei e zerei o game, mas embora tenha sido muito bom, não foi tão marcante quanto o San Andreas e o IV. 
Agora, após 13 anos, lançará o GTA VI e eu estou muito ansioso pra jogar, mesmo estando hoje com 28 anos. 
Agora, abstraindo todo o contexto acima, ano passado comprei um PlayStation 5 e alguns jogos. Me isolei, voltei a jogar, já que andar de moto e ir para a academia pra enaltecer meu ego não está em questão de escolha de vontade minha, sinto que cada vez mais estou voltando a ser aquele garoto fascinado por jogos e quieto.
Passei por muitas experiências entre 2021 até 2025 e atualmente, mas em especial nessas datas numéricas citadas, me vi trabalhando de guarda e acatando ordens grotescas, vi gente horrorosa como ser humano ditar regras inúteis, vi que a vida realmente não é justa. Após ter passado em um outro concurso público e ter ido pra área da saúde, vejo que deixei tudo subir demais pela minha cabeça, me tornei uma versão de alto ego e baixo intelecto. Me vi abrir mão de pessoas que me ajudaram muito, por puro egoísmo. Ou talvez nem tanto, porque eu tenho defeitos enormes que ocultam eu visualizar os das pessoas, de forma completamente honesta. 
Vendo tudo agora por uma óptica mais analítica, eu só fiz cagada ao longo da minha vida. Me vi deixando pessoas boas e me aproximando de gente ruim, por razões de vícios e alteregos. Quero fazer tudo diferente, pois agora eu tenho alguma chance, tenho que acreditar nisso.
Talvez eu vá morrer solteiro, sem filhos, com a mentalidade de um adolescente e de forma triste, mas fiel às minhas vontades, porque no final de tudo é o que sobra, nós com e por nós mesmos. 
E está tudo bem ... eu vou poder lidar melhor comigo mesmo após viver na solidão pra usufruir da solitude. 
Espero que eu me encontre no meio dessa bagunça que eu fiz ... Desejo que todas as mulheres que já passaram pela minha vida, tenha felicidade, amor e carinho que eu pude mas não soube dar. Que todos os amigos, sendo eles bons ou ruins, também encontrem conforto e felicidade na vida deles. Mas que eu, acima de tudo, consiga ter a mim mesmo e, mais do que isso, aceitar a mim mesmo perante todas as minhas escolhas erradas e atitudes egoístas. 
Quero me tornar um ser humano melhor, quero usufruir de uma nova vida que tenha sentido para mim. 
Se há um Deus por aí ou se tudo é apenas um estado de desordem aleatória e eventos confusos, por favor, que eu obtenha o meu caminho e que nele eu consiga seguir, no meu ritmo. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Névoa

Deus, meu Deus. Ó, Deus, ó céus, ó vida. Aqui eu cheguei e daqui parece não ter aonde ir mais. Quantos erros, quanto tempo desgastado inutilmente sob influência não genuinamente própria. Me apropriei de novas dúvidas, de medos e frustrações, me vi jogado numa rodovia com muitos e muitos veículos passando sobre mim e nenhum me atingindo. Estou querendo morrer, mas tendo o medo de partir. Não consigo iniciar nada, nem mesmo terminar e isso é como estar acorrentado, dentro de algum lugar da minha mente que eu mesmo não tenho noção. 
Tudo que era, se foi e tudo que poderia ter sido, não foi. A angústia me consome diariamente e eu já não consigo mais lidar com nada - absolutamente nada - disso tudo. Como pode o mundo ser tão injusto e cruel, e frio e também sujo, imundo e detestável. Aos 28 anos tudo parece ter sido tão brevemente passageiro, tão vago e irracional que eu mesmo não estou conseguindo mais nem mesmo colocar sobre palavras ... Meu raciocínio e meu desejo, ambos extremamente confusos, e essa insegurança que transborda lágrimas de desespero e infelicidade.
Simplesmente não coube uma inteligência racional dentro de mim, nasci e não vivo, sobrevivo e no final do dia morro para então no dia seguinte poder repetir toda essa desordem cosmológica. Esse meu jeito de ser é tão errado, tão contra a própria existência que nem mesmo eu consigo lidar com o que penso e faço. Aos 27, um número que sempre me marcou e sempre me seduziu com base em falsas e ilusórias realizações naturalmente me petrificou quando chegou na idade em questão ... Nada pôde ser corrigido, feito e nem sequer realizado por completo. O acidente, a falta de estudos e perspectiva, o afastamento do trabalho, a perda do meu corpo como imagem e influência, o dinheiro ganho e gasto e as pessoas, novas pessoas, introduzidas e conscientemente machucadas ... A incapacidade de vislumbrar o arco íris ... Eu simplesmente errei e me condenei.
Hoje já não sei mais, por definitivo, quem sou é essa ausência de visualização interna me consome como as chamas que deveria o inferno - sim, o próprio inferno - serem feitas ... Eu queria ser rico, não para ostentar, mostrar, atiçar o desejo alheio, mas, para que eu verdadeiramente como um ser deve saber ter sua identidade, só ter. Talvez seja uma maldição congênita, transposta pelas ações e correntes que ao longo do tempo foram sendo fortificadas e, mais do que isso, forjadas para além da agonia e miséria.
Honestamente aqui escrevo e não guardo nada do que é digitalizado, trata-se apenas de palavras não ao vento, mas ao lamento temporário. Por que, Deus, disso tudo ? Seria um teste de fé por eu ao mesmo tempo que já, ainda, quando criança, ter me auto-responsabilizado por malignas ações que foram certamente os pilares para a condenação de toda uma vida. É esse o teste de fé ? Como que me livro desse demônio interno que vive dentro de mim ? Como que posso conduzir toda essa agonia sem fim apenas me baseado na esperança - na falsa esperança - de que amanhã será melhor do que hoje ? 
Esporadicamente, tudo parece entrar nos trilhos, mas, subitamente, algo acontece, como se fosse uma lei universal regida unicamente para mim mesmo e ainda assim permanecer em pé ? 
Ah, Deus ... Ó meu Deus, aja no milagre divino, trace uma nova jornada em que eu aconteça, em que eu mereça a conclusão final da minha existência ou caso contrário, eu suplico, meu Deus, ó Deus em sua infinita misericórdia e amor, conclua-me sob a morte e me enterre, me faça ser ao menos útil para os vermes que poderão se alimentar e procriar, através da minha carne já incolor. Uns dizem para ter fé e outros para acreditar em si próprio, mas não há como saber da capacidade do Divino se nem mesmo ele parece se importar com meus passos. 
Como que eu erguerei a taça da vitória se em toda essa minha vida simplesmente não há glórias ? Decisões e mais decisões, todas elas erradas, largadas e inundadas por minhas lamentações e lágrimas ... O ser humano é simplesmente horrível, e Deus sabe muito bem disso ... O que há lá fora, questiono eu mesmo, e também o que há aqui dentro de mim, também me questiono. Traria eu a morte próxima a mim ou a vida ainda poderia espanta-la pra longe e dessa forma com sua luz sagrada iluminar o meu cérebro e coração ? Pedi ajuda, tantas e tantas vezes que eu pedi ajuda e fui ignorado, por pessoas simples e também pessoas que detém o poder do capitalismo em suas mãos, todos se cegaram quando me aproximei, todos me largaram. Amizades medíocres, pessoas falsas e tenebrosas, seres humanos que não deveriam existir e simplesmente vivem como se Deus os abençoassem firmemente. Que estímulo há de ser vivido em uma cela dessas, um psicológico totalmente arrasado e atrasado. 
Logo é os 30 e tão breve os 40 e de nada houve a partir da minha existência. A dúvida me devora, me devora saboreando as minhas fontes de dores e sofrimento. Me ajoelho diante o céu mas o silêncio me faz levantar de cabeça baixa e resistir a um sinal de fé. 
Até mesmo um padre me ignorou solenemente, até mesmo amigos, nunca se importaram e até mesmo a mim mesmo, assisti definhando ... Pra onde eu deveria ir ? Hoje, chorei, ontem tive vontade e antes de ontem também houve a queda de uma lágrima. Mas isso não é pra ser natural, tampouco digno de relação de superação. 
O instinto da vida é forte, assim como o medo de morrer que freia a colisão, que arrebenta a corda e que cura a overdose. Queria ter coragem, muita coragem, pra poder me restaurar aos padrões de fábrica e nada mais ... Ou simplesmente, morrer. 
Descansar, apagar, desligar e não sentir nada do que se passa aqui nesse plano horrendo. Falando em horrendo, estou morrendo aos poucos, tudo está deixando de existir, aos poucos e eu sei muito bem aonde que o fim disso tudo se dará, mas ainda assim, sigo tendo fé. Porque é o que há, e se eu por estímulo externo perder essa fé, estarei por toda eternidade condenado ao sofrimento eterno. Mas é aqui sobre essa superfície que toda a história foi contada e eu não posso me comparar com fulano ou ciclano, que um perdeu algum membro de seu corpo e o outro adoeceu até que no último dia de vida viu a paz ou um novo outro que surgiu em mente, esfomeado, desnutrido e miserável que está até hoje sofrendo exponencialmente mais do que a mim, mas há também todos aqueles que vivem suas vidas sob fortunas e família e estabilidade como um todo. Não, não posso me comparar a eles, até porque somos seres humanos e individuais e sempre estamos procurando sentido em tudo e é assim que deve ser até no último suspiro. Retalhação divina, talvez seja essa a questão ... Seriam deuses, seres vingativos e cruéis ou seriam nós, humanos, seres egoístas e odiosos ? 
Não sei ... O que sei é esse ínfimo ato de fé que acredito, fielmente, ser o suficiente para poder me alavancar pra cima e ter nos meus últimos anos de prosperidade, uma vida assim, próspera. 
Mas, infelizmente eu acho que não. A fé transcende a razão, mas ainda assim, a razão não deixa de ser apenas razão, ela dita realidades, ela constrói e ergue impérios dificílimos de serem derrubados. 
Ó Deus, estenda sua mão pra mim, olhe para mim, ajude-me a ser o que fui destinado a ser e não, nunca me abandone assim. Não sou um judas, mas sou doente por causa de mim mesmo e todas aquelas atitudes irracionais e burras e dolorosas consequências após terem sido concluídas com êxito. Ah, essa vontade de acabar com tudo ... Eu acredito que em algum momento isso vai acontecer, ó Deus, faça que não.
Essa vidinha minha é mascarada pelas drogas, pelo temor em estar sóbrio e encarar toda essa frustração acumulada ao longo dos tempos...
Eu tenho o dom de me colocar num buraco sem fim, com chamas ardentes e ventos congelantes. Ah, meu Deus ... Por que disso tudo e não simplesmente o milagre ? Milagre, eu tenho que acreditar que haverá milagre ou então será esse barco de ilusões vividas de tempo em tempo em tempo de desgosto e infelicidade e dores e muitas dores que atingem o meu peito e se transferem pela minha alma. 
Ó Deus, eu sei que o senhor está lendo isso tudo através dos meus olhos, que o senhor está sentindo o que sinto e vejo também.
Mas que isso tudo tenha um fim, porque eu não sou um homem do mal, a minha vitalidade requer bondade para permanecer em pé, virtude é o que talvez deve me faltar, mas, de tudo que há e haverá, que haja riqueza e paz. Ou simplesmente paz e esperança. O mundo é desgostoso, pra todos aqueles que sentem o frio da vida e o calor da morte, mas está agasalhado de modo ilusório confortável e também teme às chamas. 
Me refiz, me traduzi em um idioma que talvez eu tenha me enganado em ser fluente e após tudo isso, após isso tudo, ainda me descaracterizo como um Ser. 
Ó pai do céu, seja Jesus ou algum outro nome que represente messias, mas que venha a me colocar no caminho do que foi a mim pré destinado. 
Me sinto só, sinto que em lugar algum há espaço para minha presença desde que eu tenha paz comigo mesmo ... O haverá de ser se eu por mim mesmo me der por vencido, vencido, derrotado pelas condições não explicitamente da vida, mas psicológicas, porque eu sei que sou um pouco de nada é muito do pouco. Que Deus me proteja, me guie e conduza para o caminho da luz, da esperança concretizada e, acima de tudo, da paz comigo mesmo. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Protótipo de narrativa


O garoto aparentemente "atleta", cheio de vida e força, se foi. Ter uma moto, ir pra musculação, ter a liberdade da vida, tudo o que me constitua, agora não está presente. Eu ainda não superei o ocorrido daquela noite, o modo que tudo aconteceu, escancarando a minha imaturidade perante a vida. Quantas consequências que provavelmente me guiarão para um sentido totalmente inesperado - ou esperado, até - daquele que eu um dia estava vivendo. Foi tempo de mudanças, eu busquei muito por isso, me esforcei mesmo, e ainda tenho o direito de bater o peito para dizer que fiz porque insisti. Pior, eu conscientemente insisti e persisti. 
Estava tudo indo muito bem, parando para analisar agora, não havia problema algum, apenas o desejo de viver algo diferente que pudesse despertar algo adormecido dentro de mim. Mas o que poderia ser ? Talvez a minha pior versão ? Bom, pode ser ainda mais dramático: a minha última versão. Aquela versão final, onde não houve - nunca poderia haver - o "prime". Ilusões e mais ilusões, fui acumulando ilusões ao longo de um caminho novo, repleto de oportunidades, onde havia um trabalho novo e, portanto, a possibilidade de uma vida nova. Mas eu levei ao pé da letra, definitivamente ao pé da letra. Busquei em uma pessoa que mal conheço, sinto confiança e consigo me entregar, a paz. Não vivo. Tinha a rotina, o círculo social, todo um programa para viver bem; havia estabilidade emocional e racional, mas quem eu era ? 
Falando nisso, quando desempregado, no quarto, onde tudo era tão diferente, quem eu era ? A pergunta de um milhão é, quem sou eu ? Eu já sou eu ou ainda sou eu ? 
Os meus pensamentos estão desorientados, essa vida que levo sob essa névoa psicológica ... O que ser ou deixar de ser ? Foco ... Foco, estou surtando. 
O que eu faço a partir de agora ? Eu estou vivendo sobre uma falsa narrativa de que um dia serei milionário porque apostei na loteria e entre milhões de pessoas, logo eu seria o contemplado em ter uma nova chance, literalmente uma nova vida ? 
A minha situação é crítica, mas ... Dinheiro, o bom e velho dinheiro, com certeza dinheiro o suficiente para mim, poderia resolver meus problemas, 99% deles. E então eu teria paz, estabilidade emocional. 
Onde eu estou e o que estou fazendo ? Tudo está desmoronando, e isso não é se vitimizar. Veja bem, estaria eu perdendo tempo digitando todos esses pensamentos confusos e conturbados na internet, num blog onde ninguém tem acesso ?
Porra ... Já fazem 10 anos ... Estou envelhecendo, estou modificando toda a minha capacidade cognitiva, meu modo de visualizar o mundo ao redor. Sinto que em breve eu corro risco de cometer suicídio, eu sinceramente tenho medo de morrer porque a máxima de que tudo cessa após a morte, que nada há ou haverá após nossa partida, não me é muito reconfortante. E aqui as coisas ainda não acabaram ... 
Eu tenho que entender tudo isso, tenho que procurar por uma resolução, mas eu nunca fui bom nisso. 
Enfim, 10:59 agora, talvez ao anoitecer ou mesmo durante a noite eu possa retornar. Talvez eu não esteja mais vivo.

Parte II do texto acima; merece um pulo de linha pra baixo, para que nada se misture. Hoje já é dia 22 de Agosto, estou ainda deitado, o filho da minha namorada está na sala, assistindo. Eu diria que é engraçado, mas não é, não mesmo, o fato de que as vezes passa pela minha cabeça pensamentos intrusivos que fazem eu olhar para todas as direções, em diferentes contextos e tempos. Eu estava fazendo umas questões da prova da Unesp, e em meio a tantos raciocínios densos, estavam os das experiências de quando eu ainda morava com meus pais. Quando eu fiquei internado no Cantídio. Sabe, é difícil imaginar que em 2018 eu era sonhador, pensava em cursar algo, viver estudando. Em 2019 tudo desmorona mas ainda assim o sonho permanece. 2020 é a decadência, talvez. Tive oportunidade de trabalho, oportunidades é o que não me faltou. Mas devo ser sincero e dizer que eu não soube aproveitar essas oportunidades. Ao invés disso, sempre busquei por algo que pudesse me fazer mal e mesmo quando eu conseguia isso, a vida me mostrava uma outra solução, jeito de se pensar. Eu errei. Errei tão pesado, sinto que fiz simplesmente a pior escolha para toda a minha vida. 
Mas sinto também que algo muito grande, próspero, ainda me acontecerá, mesmo que seja ao final da minha vivência nesse plano. 
Não soube reparar se sempre houve uma certa perseguição por parte do número 27, mas realmente é tão aterrador ver que algo está alí mas é, no momento, simplesmente intocável. E ao final disso tudo, foi isso mesmo a resultante de se pensar que coisas boas iriam acontecer comigo ? 
Porra, perdi minha moto ... Eu amava andar de moto, ouvindo música, sentindo a liberdade da vida. E do nada, foi-se embora. Depois, academia, trabalho, tudo como se fossem areia a escorrer entre meus dedos enquanto eu apenas assisto. Toda a estabilidade que eu tinha antes e ainda assim reclamei e quis mais e quem muito quer, nada tem. Hoje estou tendo que cuidar do filho de uma mulher que estou morando junto, toda uma responsabilidade simultânea, um estresse mental e físico avassalador. Abracei a causa em ter uma família de um outro homem, decidi que ser feliz não seria o suficiente pra mim. Contas, dívidas, peso incomum, responsabilidades que não deveriam existir, e estou aqui. 
Não sei como sair. Teria que ir pra fora de algo. Socorro, ah como que gritar por socorro tornou-se tão inútil. Eu, honestamente, morri. O que sobrou aqui é toda uma carcaça desprovida de inteligência, de raciocínio sadio e de uma vida de realizações. Não sei o que faço. Estou perdido. Eu ontem conversei com Deus, mas não sei se ele me ouviu. Eu estava tomando banho. 
Eu queria me sentir importante, ter dinheiro, sim, dinheiro, bastante. Carro, casa, moto, eletrônicos, enfim, conhecer países e suas culturas. Que judiação essa vida ... Veja, toda uma vida nerfada por drogas, más companhias e vivências. Ou melhor, já nasci não sabendo viver. A vida se resumiu em uma eterna espera por algo "cair" do céu e se fazer de algum sentido para mim.
Mas, não. Não há como viver assim... 
A morte parece ser uma melhor solução, mas ela carece de arte, desejo e atração. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Concebido

E é como tudo deveria ser ? Estou numa espécie de abismo, vivendo sob uma pressão angustiante. Perdi toda a minha identidade, eu sabia que o número 27 iria representar algo realmente significativo. Não foi bom. No último dia 15/07, às 21:30 eu me acidentei, quase morri. Quebrei clavícula, escápula. Desestabilizei todo meu ombro direito. Temos não me recuperar. Sei que tudo jamais será como antes, mas me interesso em saber o quão diferente será. Abri mão de um relacionamento porque eu acreditava estar na merda, mas aí, agora estou com a Dani, a mulher que eu me apaixonei de forma espontânea e equivocadamente a trouxe pra minha vida. Contas, contas e mais contas. Dinheiro emprestado: do pai, do irmão. A moto que se foi, academia e dieta também se foram. Me configurei de um modo tão tolerável que chega a ser doloroso demais viver assim. Numa vida de questionamentos, medo do futuro e tudo mais. Estou com quase 30 anos, minha vida está estagnada. E sim, entendo que é tudo culpa minha, exclusivamente minha. Porém, há fatores envolvidos que realçam essa premissa. 
Vou ter que ficar meses afastado do meu trabalho, tudo que me constituía, se foi. Eu me fui. É o karma, talvez, ou apenas uma fase absolutamente horrível que estou vivendo. Definitivamente sem amigos, sem nada. 
Perdi a minha fé, acredito eu. 
Que droga. Estou levemente sedado.
E se tudo for possível, afinal ? Digo, questão de perspectiva: há divergências sobre a interpretação de mundo. O que foi falado até agora, nada mais é que apenas uma face da moeda. A outra podemos interpretar do seguinte modo: uma nova chance de fazer tudo diferente. E se foi isso que eu pedi a Deus, afinal ? 
Uma segunda chance, mais uma tacada, um movimento. Mas as maneiras são estranhas, dolorosas. Poderia tudo ter sido muito pior, mas ainda assim foi pesado. 
Sinto falta de mim de uma vida que não vivi. 
Ah como que a vida passa rápido, né ... Tudo parece que foi há pouco tempo, mas quando para pra analisar com atenção, foi há tempos. Os dias estão ficando cada vez mais curto, os anos vindo rápido demais. 
Fiquei meses sem postar aqui, mas é assim que é para ser. Raramente, quando houver algum estopim, algo interessante prestes a vir à tona. 
Enfim, eu todo arrebentado aqui, agora vejo a relevância que tenho neste mundo: nenhuma. Nem uma significância. Os "amigos" viraram as costas, nem me dão atenção. Eu precisava, digo, no fundo do meu coração, eu sei que, de fato, eu precisava de um sacode. As coisas estavam estagnadas demais, tudo rodando perfeitamente pra lugar algum, como se eu estivesse vivendo num automático definhando cada vez mais. 
O filho dela, Vitor, acabou de perguntar pela mãe - nem eu sei onde ela está - e perguntou também se poderia deitar comigo. Claro que eu disse que sim, mas não vejo que sou relevante. Ele está deitado aqui do meu lado. É bonzinho demais, eu ... Eu não sei por que sou tão ruim, por que tudo me estressa e desagrada. Um poço de insatisfação contínua. É uma dor preta e branca, incolor. A verdade é que não tenho nada, tenho tudo, a vida é pouca e insuficiente para ser concebida atrás de falsa felicidade, vida teatral.
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Contemplar

Então aconteceu no dia 25/02/25. Coloquei um ponto final no relacionamento com a Ana. Quase três anos juntos, vivendo juntos, nos divertindo juntos. Muitos bons momentos com ela, poucos momentos ruins com ela. Menina fiel, companheira e amiga. Uma verdadeira raridade nos dias de hoje. E eu simplesmente quis abrir mão disso. Mas, por que ? Eis a questão. Vocês acham que eu não sei o que estou fazendo ? Claro que sei. E sei muito bem. 
Embora ela tenha todas essas maravilhosas qualidades, era também uma pessoa na qual me entregava um conforto estagnado, como se eu fosse um grande predador dentro de um ambiente meticulosamente cuidado para me manter vivo, sob as melhores condições possíveis de vivência. Mas é aí o pulo do gato: um grande predador, se soubesse que está preso - simplesmente esse fato - e ainda que pudesse sair por um caminho não tão secreto, continuaria a viver sob aquelas boas condições de confinamento ? Eu acredito que não. E eu fui esse predador. Tudo estava bem, mas no fundo do meu coração, não estava. Embora eu tenha um amor imenso por ela, desejar todo o bem possível pra ela, eu não a mais queria em minha vida. Não consegui enxergar um futuro promissor com ela, só me via parado no tempo a vagar eternamente vírgula até que eu morresse. 
O jeito que abordei a ideia, foi muito repentina. Fui para a academia e quando voltei simplesmente a acordei e em poucos minutos comecei a falar. Parei pra refletir um pouco e cheguei numa conclusão repentina de que acredito que ela já quisesse o mesmo, mas não teve coragem nem a iniciativa de fazê-lo. Porque também feliz ela não estava, me cobrava atenção constantemente, eu a ignorava, preferia estar em outros lugares do que com ela, enfim, criei na verdade uma rotina muito ruim para mim mesmo. Gastando muito dinheiro com maconha, monster, palheiros, gasolina ... O meu circo social foi um dos de pior qualidade possível: Henry, garoto de 19 anos que só presta pra fumar maconha. Tala, 21 anos, só fuma cigarro/palheiro e toma monster. Bonoto, mesma coisa. Nina, igualmente. Livia, apareceu em raras ocasiões e mesmo nessas breves apariçãos, segue o contexto dos anteriores. Enfim, muito tempo perdido, quando eu poderia estar lendo um livro, estudando, assistindo algo do meu interesse, dormindo ou fazendo qualquer outro tipo de atividade. 
Não dava mais pra continuar uma vida tão pacata assim, me afundando cada vez mais. O problema, lógico, sou eu. Eu sou o problema. Veja bem, agora tem a Danieli, vamos analisar o contexto dessa mulher: 31 anos, recém divorciada, ainda pendendo se volta ou não com o rapaz. Tem um filho de dez anos. Vou abrir meu coração aqui pra vocês agora: confio nela ? Não. Sinto que ela pode me prejudicar ? Sinto. Sinto que ela gosta de fazer jogos de desinteresse ? Sim. Então, por que cargas d'água continuo saindo com ela ? Um breve preenchimento momentâneo-emocional ? Do que eu não gosto ? De me sentir rejeitado. Não gosto de rejeição. De desaprovação. Sou estranho, ao mesmo tempo que quero chamar a atenção, quero ser despercebido. Ao mesmo tempo que curto quando os holofotes estão direcionados a mim, gosto também quando estou sentado lá no fundo do cinema, na parte mais escura e menos visível. Enfim. A Danieli não vai virar nada, será apenas perda de tempo, dinheiro e terei estresse atoa. Ao invés disso, o melhor é eu focar em mim mesmo, no meu desenvolvimento pessoal, como um ser humano. A famosa busca incessante para ser um homem melhor. E então voltei a morar com meus pais, espero de verdade que surja alguma oportunidade de casa de aluguel pra eu cair fora daqui e viver a minha própria vida. Morar sozinho não deve ser fácil, mas é honroso. 
Só gostaria de relatar mais uma coisinha: acho incrível como que as coisas vão acontecendo e o modo que vão acontecendo. Perdi meu celular, derrubaram a minha moto, algumas pessoas mais próximas do trabalho se afastaram, sinto que ganhei volume muscular e tenho pensado mais no meu pai ultimamente. Não sei, mas cada ação, evento, causas e consequências, parecem estar de algum modo sendo influenciados por uma força maior. Agora um colega me disse: vai na igreja comigo. Mas e se isso foi apenas um: Norton, vá se confessar. Um antigo colega disse que foi se confessar e coisas boas aconteceram com ela. Bom, sou cético, mas aberto para perspectivas diferentes. Não que eu queira ir só pra passar a ter uma boa vida, mas sim para ver a transformação interna que pode me fazer ter. Estaria na religião a real salvação ? Eu quero acreditar que não. Não pode ser assim ... Digo, há pessoas más que matam em nome de Deus e pessoas boas que não acreditam em sua existência. 
As vezes eu me acho bom mas as vezes eu também me acho mau. Independente do que eu sou, era, estou sendo ou posso ser, deixar de ser e até mesmo vir a ser, quero, acima de tudo, acreditar que há esperanças e algo magnífico está me esperando. Contudo, preciso - antes de mais nada - contemplar uma versão melhor, única, de mim mesmo. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Espera

Uma espera eternizada, uma vida desperdiçada. Uma ferida profunda que se recusa a se curar, erros que persistem em cada vez mais se aperfeiçoar. Novos caminhos aparecendo, caminhos onde a luz é impenetrável, onde a vegetação é favorecida pelos espinhos, pela selvageria da vida. 
Nunca vou me entender por completo, é um esforço em vão tentar. Não estou preparado, nunca estive e jamais estarei. Minhas próprias preocupações, meus próprios ferimentos. A espera por um milagre num contexto ateísta. A independência emocional, a carência por atenção alheia, o devaneio por essa jornada sem sentido algum. É como se eu pudesse ver a esperança, conhecer ela, mas não poder nunca tocar. Um esforço em vão. 
Poderia eu conseguir cavar mais fundo esse buraco para poder me enterrar de vez ? A melancolia que me atrai, as escolhas que me condenam antes mesmo de serem tomadas. Quem poderia me ajudar ? Não consigo fazer isso sozinho, não consigo ser melhor. A busca pelo aperfeiçoamento como pessoa é muito teórica, na prática, essa teoria é completamente diferente. 
Deus pode e olha por mim, mas por que me coloca nessa posição tão delicada na beira de um penhasco onde o vento é de centenas de km/h ? É desafiante acordar esperançoso quando isso se torna rotina. A preocupação, são tantas. 
Esse blogue só fará sentido quando eu cometer o suicídio e me for de vez e alguém encontrar essa merda toda para se divertir ou fazer um roteiro sombrio ao mesmo tempo em que é cômico.
Estou aqui, sentado, esperando. Esperando sentado. E não vem, nada vem. Ninguém se importa. No final, a relevância é mínima. É dolorosa, é constantemente presente. Dependendo de mim mesmo para se resolver, como seria isso possível se sou tão fraco, tão desprezível. 
Nunca, ninguém virá por mim. Sequer detenho o direito de cobrar por isso, cobrar atenção e reciprocidade, afinal, é tudo proibido, tudo muito embaçado nesse caminho. Sobreviver dentro do subconsciente é como estar numa selva extremamente perigosa, com apenas os braços e a mente. Acenderam a luz, mas não vieram e eu cá estou sozinho, ainda, na escuridão. O verdadeiro interrupor terá que vir de mim, para finalmente apagar o que vem ofuscando. 
Dando uma continuidade algumas horas após o último ponto final dessa publicação, sentado aqui em um outro lugar ainda sozinho, pensando e refletindo melhor, acho que está acontecendo o que eu no mais profundo do meu coração queria: a volta da melancolia e insignificância, a constante crise existencial. Sei que se suceder os eventos que tanto desejo, tudo acabará sendo igualmente semelhante. 
Enfim voltarei aqui em alguns dias.