terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Aleatórios diversos


Fim de ano, última noite do ano de 2024. Estou aqui na casa dos meus pais, aquela sensação nostálgica de um passado ainda próximo mas que cada vez mais tende a se afastar. Havia um quarto, pouco antes de eu ir morar com a Ana, já estavam mexendo e fazendo uma nova sala, um novo quarto. Agora, estou em um ambiente novo, as vezes meu cérebro prega peça me induzindo a uma imagem de como toda a estrutura era antes. Estou aqui deitado, comi churrasco, isso é clássico, me lembro que era o ápice do mês quando meu pai inventava de assar carne. 
Eu passei alguns tempos trancafiado no meu antigo quarto estudando e quando parava, uma vez ou outra tinha o churrasco da família. Isso era maravilhoso, e ainda é. A Ana está na mãe dela, logo estou por lá também. Passaremos a virada do ano juntos, sinto que deveria passar com meus pais e meu irmão aqui, mas, é minha esposa, minha mulher, minha nova família que vem me sustentando. Preciso ainda mais fazer o reconhecimento. Enfim, o ano, no geral, foi ótimo: mudei de trabalho e também de mentalidade, até mesmo minha saúde mental e física melhoraram muito com a aquisição desse novo cargo conquistado por mim, aliás, fiz a prova e passei. Todo aqueles estudos não foram em vão. Nada foi. Os momentos de tristezas foram igualmente belos. Também troquei de moto, no entanto, estou adicto em palheiro e maconha, pra variar. Isso eu tenho que mudar, mas é extremamente difícil dar o ponta pé inicial. 
Estou com 27 anos e o tempo é implacável. Nesse ano de 2024, fui em dois velórios: da avó da Ana e também da minha tia Lina. Essa última parecia que seria imortal. Tinha poliomielite, fumava muito e ainda assim aparentava ser saudável, vai entender.
O que mais posso dizer aqui ? Estou com bastante sono e são ainda 22:00, exatamente. Vou fazer um café assim que chegar em casa e tomar. A Érica quer um lance comigo, por gatilho, quase cedi a isso, mas acredito ser tão errado, a Ana é perfeita para mim, é uma pessoa companheira, leal, engraçada, amorosa. Eu não poderia fazer isso com ela, acredito que seja um tipo de tentação assim como são os doces durante a madrugada e a fome exacerbada que sinto quando tento fazer uma dieta ou seguir qualquer tipo de disciplina que me traga evolução como ser humano. A Dani, uma garota também lá do posto, ela dá mole pra mim, mas também é a mesma história. O engraçado, são pessoas casadas, pessoas que deveriam ser fiéis aos seus princípios. E eu acredito também que quando alguém se "apaixona" por mim, com toda certeza essa pessoa tem mais problemas que eu; talvez, ainda pior do que eu. 
Tenho que focar na essência em ser uma boa pessoa, uma pessoa que não machucaria outras pessoas. A mágoa alheia traz karma e fazer algo para a Ana, seria um tipo de homicídio moral, ético. Tem tantas coisas em mim que eu deveria mudar, que eu preciso mudar, mas simplesmente não consigo ter forças o suficiente para isso.
As vezes sinto que não mereço nada do que tenho, que meu destino é se foder sozinho nesse mundo. Mas, não, não posso sustentar essa crença. 
Estou com opções, mudar de academia, entrar num tipo de dieta, parar de fumar, viver no tédio de alguma forma que me traga sucesso. Acho que eu poderia me dar bem se seguir esse caminho.
Meu pai ... Como que eu gostaria de ajudá-lo financeiramente, mas até nisso eu sou fodido. Como que eu queria ser melhor, mas não consigo. 
Hoje fui caminhar e foram quase 9km, também, passeei de moto, o dia começou lá no carvoeiro e acabou lá no carvoeiro, onde eu por várias vezes me senti preso mentalmente e liberto fisicamente. Fumei muita maconha hoje, tô sem dormir nada ainda, acordei por volta das 07h e tô meio que no automático. Não sei expressar exatamente o que "devo" expressar aqui. Apenas estou digitando ideias aleatórias que estão vindo. Encontrei uma "ex namorada", Susane, há uma semana atrás, eu acho. Ela é bacana, apesar de todo rolê torto que já tivemos lá no começo de 2020. Vi também a Luara, minha primeira namorada com a qual comecei o relacionamento em 2014 - 01/08 e terminamos em meados de 2016. Ela é bem rara de se ver, acredito que a última vez tenha sido no rock fest de 2022. Se passaram então dez anos desde que começamos a namorar. O ano novo de 2014 pra 2015 fomos no bosque, tocamos o sino. Minha família por parte de minha mãe moravam lá, e aquela época foi incrível, foi maravilhosa. Sinto até hoje a sensação de estar lá no bosque. O gol GTS quadrado do meu primo, o Palio de outro, o uno do meu tio ... Incrível como que essas recordações são tão significativas. 
Vou voltar a me medicar, sertralina e carbonato de lítio. Isso me mantém estável, acredito eu. Mas, é aquela coisa, inicialmente é difícil demais.
Gostaria por fim de agradecer a Deus, ao espaço tempo e a toda energia cósmica por esse ano repletos de livramentos, de boas notícias e conquistas. Mas ainda há o mau em mim, o lado derrotado, o lado que não deveria existir mas que por lei naturalmente universal, existe. 
Para o ano de 2025, saúde, paz, dinheiro, amor, consciência e todo aquele "clichê de bons princípios de ano novo" que realmente se fazem sentido quando na necessidade deles. Quero ter dinheiro, mas sinto que pra isso preciso mudar muito e eu tenho que ter forças, forças pra reluzir, pra conduzir toda minha fé em direção às melhores condições de desenvolvimento. 
Tem que ser diferente.

sábado, 26 de outubro de 2024

Mundo invertido


Eu não entendo, fiquei uns par de minutos tentando colocar a porra de uma foto aqui neste capítulo mas que diabos, não dá certo dela sair correta, faz esse giro e parece que o mundo tá todo tombado. Pensei, quanto tempo que estou perdendo apenas tentando acertar essa merda de foto inútil. Enfim, meu último dia com 26 anos, o tempo é implacável. Ontem mesmo eu estava com 18 anos, tudo tão perdidamente diferente. 
Sinto um vazio imenso dentro de mim. Não consigo - SIMPLESMENTE NÃO CONSIGO - ser melhor, ser diferente, ser bom. Sou um poço de ruindade, um farelo de cem quilos de carne de péssima qualidade e pior ainda de alma. O que eu faço ? Tem uma cruz do meu lado esquerdo aqui e eu já ajoelhei e tentei me comunicar, mas a fé é um exercício e assim como o físico e o mental, simplesmente não consigo manter o foco. 
Me sinto internamente desesperado, sem esperanças. A avó da Ana desajava a mim sempre a sabedoria. Eu fui no velório dela, no enterro dela. Me sinto péssimo por ter sido horrível de todos os modos possíveis. E pior ainda por não conseguir simplesmente ser melhor. Tentar mudança. O vazio persiste.
Talvez seja a maconha ... Desde 2012 eu venho usando essa desgraça constantemente. Me pergunto, onde eu poderia estar, hoje, se por um acaso nunca tivesse usado isso na vida ? 
Decisões erradas, amizades piores ainda. Antes era o Lucão, Diogo. O primeiro até para os Estados Unidos já foi. Voou longe. Muito mais longe do que qualquer lugar que um dia eu poderei chegar. O outro, definhou. Depois, me isolei e afastei pra "estudar", não deu frutos algum. Foi em vão. 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020. Meia década jogada ao vento. 16, fim do primeiro namoro. 17, conheci o Guilherme, engenheiro formado no ITA, me ajudou demais para com o entendimento de livros e comecei também a trabalhar na usina. 18, Fase de desilusão do meu pai, que me viu começar a fazer técnico em eletrotécnica na Etec em Jaú, me viu trabalhar e posteriormente ser demitido e desistir de ir estudar na Etec. Joguei vídeo game, toquei guitarra, vi pornôs, estudei bastante no quarto. 19, começo trabalhar na Camil, sou demitido uns 4 meses depois, usei muito Nbome, cocaína e até crack com aquele bosta do Murilo. 20, Susane, cogumelos, Ozzy Under the graveyard, Ana Mostaço, SJC, fazer prova da EEAR. Fase densa. No final de 2020 fiquei internado em Botucatu, no Cantidio. 21, trabalho na guarda, passo no concurso, vida muda radicalmente, compro a Hornet, um sonho que veio a se tornar num puta pesadelo. Dívidas se iniciam. Cibele, namorada ? Fez parte da transição pro mundo de merda. 
Acabei de fazer uma xícara de café, vir aqui pra fora fumar palheiro. Puta que pariu, é meu fim mesmo. Ouvindo uma música chamando just a song before I go. Continuemos então ... 22, me caso com a Ana, como que ela é dócil, linda e maravilhosa. Eu achava que ela me arrastaria pras drogas, que ela era louca pois parecia infantilizada. Mas, ela é tão anos luz a minha frente. Ela é tão melhor, superior a mim. Não bebe, não fuma. Ela conseguiu sair do mundo de névoas e eu continuei. Meus pensamentos me torturam e me deixam ser um alucinado. Meu ego em constantemente me provar pra sociedade. Provar que tenho poder aquisitivo, KKKKKKKKKKKKKKKKKKK que eu tenho motão, sou foda. Mas sou um bosta endividado. Literalmente isso. Enfim, ela me deu uma casa onde morar, saí da casa dos meus pais, nem grana pra ajudar pagar a energia e água aqui eu tenho. E a moto tá dando B.O já. Só gastos, tristezas, desilusões. 23, trabalhando na guarda, chego no meu pior: engordei até os +120kg, fardado ao desprezo, a inércia, ao fim da saúde mental e física quando relacionado ao trabalho. 24, passo em um novo concurso. Trabalho na área da saúde, isso tem quatro meses. Troquei de moto, troquei de trabalho e também posso dizer que troquei um relativo novo corpo. 
Há também aqueles outros anos extremamente significativos, na verdade, todos são. 13, Márcio, meu então melhor amigo que traí sua confiança saindo com a Sabrina, menina que ele na época gostava muito. Criei a página A Magia do Universo, aprendi bastante vendo documentários sobre astronomia. Começo o ensino médio no Camilo Sahade, período noturno. Wedley, nova amizade que me arrastou pra maconha e cocaína, edículas. Enfim, acho que foi um reprise bem sintetizado. Muito muito resumido. 
Estou indo amanhã para os 27 anos, será que essa idade será a grande divisora de águas ? Morrerei ? Ficarei solteiro ? Ganharei na loteria ? Vou mudar hábitos ? Vou ser muito melhor ? Muito pior ? Será que haverá um novo mundo, talvez, de cabeça para baixo ou ainda "deitado" ?
Eu preciso um dia ir até a igreja, mesmo sabendo que a atenção lá dada a mim será ínfima, talvez ignorada. Preciso ter uma fé mais forte, exercitar a fé para poder visualizar o futuro e saber onde quero ir, onde devo chegar. 
Acho que por hoje é só, que aqui fiquem minhas últimas palavras aos 26. Que aqui seja digno.

sábado, 1 de junho de 2024

Escoagem de vida


Não faz muito tempo que estive por aqui. Mas naquele tempo de lá atrás tudo hoje já não é mais o mesmo. Ambições, ambientes, ambulantes, tudo em um novo riquíssimo figurino de diferenciação adaptativa. Por chega desse linguajar rebuscado, dessa vez venho dizer que consegui mudar de emprego e ter pequenas pensamentos e consequentemente atitudes diferentes, que estão me conduzindo pra uma nova rota. 
Hoje chorei nos braços da Ana porque eu estava me sentindo ruim, não sei dizer ao certo como. Uma mistura de raiva comigo mesmo e frustrações. Disse pra ela que não tinha nada além do meu emprego (abri estes parênteses porque acabei de jantar com meu pai e minha mãe, na mesa aqui da casa deles), com isso, agora sigo uma diferente linha de raciocínio. Enquanto eu jantava aqui com eles, a última palavra digitada havia sido "emprego" e muito provavelmente eu teria continuado com alguns traços paradoxais de melancolia. Não devo fazer isso. Não devo. Eu tenho que ser grato por tudo, pelo novo emprego, por ter a moto que eu tanto queria ter, por estar casado e morando junto. Minhas lamentações iriam traçar o fato de eu não ser possuidor de nada, como uma casa, um salário bom, roupas, poder para executar ações que precisam diretamente do dinheiro. Eu tenho muito mais do que isso e todos os erros, minhas dívidas, tudo que eu possa circular para dizer que está imperfeito, foi causado por mim. Unicamente eu, tenho culpa. Não posso distribuir isso para as pessoas que não têm nada a ver com minhas decisões, pois eu sei muito bem como eu sou, como eu ajo, como que eu desdobro para conseguir o que quero, principalmente momentaneamente. Enfim ... Um simples instante jantando com minha família, foi mais que o suficiente para poder me mostrar isso. Minha riqueza é ter eles comigo, ter uma sogra que é uma segunda mãe, ter uma mulher fiel, linda e bacana. Eu aos finais de semana, acordar cedo, tomar um belo café da manhã, ir treinar, andar de moto ... Durante a semana trabalhar, ir para a academia, ficar com a Ana ... Tudo é muito bom, eu não posso fazer isso, não posso me induzir ao absurdo, detonar minhas conquistas. O que posso fazer é tentar duramente ser diferente, ainda mais. Não é difícil observar o que devo fazer; difícil é ter a coragem necessária para iniciar, para aguentar sentir o desconforto diário. 
Isso tudo é bem basal, é o que se trajeta no interior de minha mente. Enfim, ao externo disso tudo, meu amigo Maik conseguiu emagrecer praticamente 30kg neste ano. Susane segue morando lá em Sorocaba, enrolada que só, como sempre foi. Eu estava conversando com ela até poucos dias atrás, mas isso não faz mais sentido. Não traio a Ana com ela, simplesmente converso, mantenho contato. Mas acredito que ela não tenha virtudes, seja uma pessoa extremamente fria, calculista, infeliz. Ela finge a própria vida que leva - ou sou eu que me preocupo demais com isso. Ah, nem sei o que estou fazendo. Atual e aparentemente, a Luara está solteira, terminou o "noivado". Acho interessante nunca ter visto ela pelo caminho que eu faço. Entre idas e vindas do trabalho, academia ou outras, nunca a vi. Ou ela me evita de algum modo ou simplesmente o espaço - tempo realmente não quer que nos vemos. Falei recentemente com o José, um amigo conhecido em 2013, hoje é pai e está casado com uma mulher de padrão "elevado" (parece muito ser gente boa). Tá tudo diferente, tudo está em movimento. 
No início do ano passado um conhecido da minha mulher morreu afogado, provavelmente se matou. Bindi era seu nome. Uns dias antes, eu havia comprado uns cogumelos pela internet e pensei em quem chamar para poder ter uma trip junto, não me passou ele pela mente. Andei uma vez com ele de moto, ele segurava nos meus ombros ... Foi no início da minha relação com a Ana ... Ele foi legal, eu deveria ter me atentado mais a ele, talvez pudesse evitar algo - ou não. 
No meu atual trabalho, estou passando nas casas para ver se há foco de mosquitos do Aedes Aegypti, Escorpiões, etc ... Está tudo bem, a vibe é totalmente outra, me sinto diferente, me sinto melhor. Espero fielmente que tudo continue assim e, mais do que isso, tenda a melhorar cada vez mais. Atualmente estou com 26 anos, tão breve farei 30 e isso é realmente assustador, até ontem eu estava em 2018, morando com meus pais, estudando no meu quarto, meu quarto ... Aos 21 anos. Que Deus me ajude, porque nele eu tenho fé. Tenho fé na vida. Mas a tendência de viver bastante é ver, viver e conviver com algumas coisas que podem ser muito ruins. 
Eu sinceramente não sei quando mais voltarei aqui, provavelmente não demorará tanto. O intervalo de tempo é incerto, mas provável, dado que sou um humano engatilhado para se aventurar nos escombros de sua própria ruína. 

sexta-feira, 22 de março de 2024

A enésima primeira vez

Hoje dia 22 de março de 2024, há mais de três anos eu havia escrito uma breve contextualizada sobre uma mais breve ainda trajetória em minha vida. A internação no final de 2020; o recomeço no início de 2021; uma nova fase no meio de 2021 e por aí vai. Atualmente concursado em um emprego público, sendo vigilante patrimonial, aos 26 anos, me encontro no "conforto e conformismo" do que tende a ser minha vida pelo resto dela. Estou engatilhado em outro concurso, preciso apresentar alguns documentos que, não sei por qual motivo, sinto que algo dará errado - espero que fique apenas nessa sensação. 
Nesta página eu gostaria de realçar o meu passado, vivo muito pensando nele, sabendo que não mais existe, mas sabendo que já existiu e tornando-se cada vez mais instigante as condições de reviravoltas dadas. Gosto de pensar nos anos como números altamente significativos. Por exemplo, 2012 começo a ter más companhias e usar drogas. 2013, vários momentos legais, com foco no início do ensino médio noturno. 2014, início do meu primeiro namorico - essa palavra apareceu como sugestão, achei interessante colocá-la. 2015, último ano do ensino médio, último ano em que vivi momentos no bosque - fazenda onde minhas tias moravam. 2016, início da minha contemplação aos "estudos", ainda usando maconha, especialmente, fim do namorico. 2017, começo a trabalhar, primeiro emprego. 2018, fim do meu primeiro emprego, altas doses de pensamentos conturbados - se eu morreria sem conquistar nada, nem uma moto, nem um emprego; músicas que realçaram minha vida. 2019, começo a trabalhar no início de uma indústria, muita droga rolou nesse ano, foi horrível - e saí do trabalho. 2020, início de uma fase pesada, emocionalmente pesada, duas pessoas fizeram parte de minha vida, me destruíram e me ajudaram a me identificar. 2021, emprego público, nova vibe, pessoas afloraram de todos os cantos. 2022, momentos estressantes, nicotina fazendo mais do que parte de minha vida; saí de casa e fui viver com minha atual esposa. 2023, um ano de vários problemas no trabalho, sentimentos de impotência, de fracasso e, acima de tudo, de injustiça. Foi onde eu, de fato, consegui enxergar a essência das pessoas, os seres bons e os malignos. A malícia por trás dos olhares. 2024, ano em que estou tentando fortemente virar a chave, me redescobrir em meio aos escombros criados por mim mesmo ao longo de todos os anos. 
Enfim, como diria Clarice Lispector: é assim porque assim é.