sábado, 1 de junho de 2024

Escoagem de vida


Não faz muito tempo que estive por aqui. Mas naquele tempo de lá atrás tudo hoje já não é mais o mesmo. Ambições, ambientes, ambulantes, tudo em um novo riquíssimo figurino de diferenciação adaptativa. Por chega desse linguajar rebuscado, dessa vez venho dizer que consegui mudar de emprego e ter pequenas pensamentos e consequentemente atitudes diferentes, que estão me conduzindo pra uma nova rota. 
Hoje chorei nos braços da Ana porque eu estava me sentindo ruim, não sei dizer ao certo como. Uma mistura de raiva comigo mesmo e frustrações. Disse pra ela que não tinha nada além do meu emprego (abri estes parênteses porque acabei de jantar com meu pai e minha mãe, na mesa aqui da casa deles), com isso, agora sigo uma diferente linha de raciocínio. Enquanto eu jantava aqui com eles, a última palavra digitada havia sido "emprego" e muito provavelmente eu teria continuado com alguns traços paradoxais de melancolia. Não devo fazer isso. Não devo. Eu tenho que ser grato por tudo, pelo novo emprego, por ter a moto que eu tanto queria ter, por estar casado e morando junto. Minhas lamentações iriam traçar o fato de eu não ser possuidor de nada, como uma casa, um salário bom, roupas, poder para executar ações que precisam diretamente do dinheiro. Eu tenho muito mais do que isso e todos os erros, minhas dívidas, tudo que eu possa circular para dizer que está imperfeito, foi causado por mim. Unicamente eu, tenho culpa. Não posso distribuir isso para as pessoas que não têm nada a ver com minhas decisões, pois eu sei muito bem como eu sou, como eu ajo, como que eu desdobro para conseguir o que quero, principalmente momentaneamente. Enfim ... Um simples instante jantando com minha família, foi mais que o suficiente para poder me mostrar isso. Minha riqueza é ter eles comigo, ter uma sogra que é uma segunda mãe, ter uma mulher fiel, linda e bacana. Eu aos finais de semana, acordar cedo, tomar um belo café da manhã, ir treinar, andar de moto ... Durante a semana trabalhar, ir para a academia, ficar com a Ana ... Tudo é muito bom, eu não posso fazer isso, não posso me induzir ao absurdo, detonar minhas conquistas. O que posso fazer é tentar duramente ser diferente, ainda mais. Não é difícil observar o que devo fazer; difícil é ter a coragem necessária para iniciar, para aguentar sentir o desconforto diário. 
Isso tudo é bem basal, é o que se trajeta no interior de minha mente. Enfim, ao externo disso tudo, meu amigo Maik conseguiu emagrecer praticamente 30kg neste ano. Susane segue morando lá em Sorocaba, enrolada que só, como sempre foi. Eu estava conversando com ela até poucos dias atrás, mas isso não faz mais sentido. Não traio a Ana com ela, simplesmente converso, mantenho contato. Mas acredito que ela não tenha virtudes, seja uma pessoa extremamente fria, calculista, infeliz. Ela finge a própria vida que leva - ou sou eu que me preocupo demais com isso. Ah, nem sei o que estou fazendo. Atual e aparentemente, a Luara está solteira, terminou o "noivado". Acho interessante nunca ter visto ela pelo caminho que eu faço. Entre idas e vindas do trabalho, academia ou outras, nunca a vi. Ou ela me evita de algum modo ou simplesmente o espaço - tempo realmente não quer que nos vemos. Falei recentemente com o José, um amigo conhecido em 2013, hoje é pai e está casado com uma mulher de padrão "elevado" (parece muito ser gente boa). Tá tudo diferente, tudo está em movimento. 
No início do ano passado um conhecido da minha mulher morreu afogado, provavelmente se matou. Bindi era seu nome. Uns dias antes, eu havia comprado uns cogumelos pela internet e pensei em quem chamar para poder ter uma trip junto, não me passou ele pela mente. Andei uma vez com ele de moto, ele segurava nos meus ombros ... Foi no início da minha relação com a Ana ... Ele foi legal, eu deveria ter me atentado mais a ele, talvez pudesse evitar algo - ou não. 
No meu atual trabalho, estou passando nas casas para ver se há foco de mosquitos do Aedes Aegypti, Escorpiões, etc ... Está tudo bem, a vibe é totalmente outra, me sinto diferente, me sinto melhor. Espero fielmente que tudo continue assim e, mais do que isso, tenda a melhorar cada vez mais. Atualmente estou com 26 anos, tão breve farei 30 e isso é realmente assustador, até ontem eu estava em 2018, morando com meus pais, estudando no meu quarto, meu quarto ... Aos 21 anos. Que Deus me ajude, porque nele eu tenho fé. Tenho fé na vida. Mas a tendência de viver bastante é ver, viver e conviver com algumas coisas que podem ser muito ruins. 
Eu sinceramente não sei quando mais voltarei aqui, provavelmente não demorará tanto. O intervalo de tempo é incerto, mas provável, dado que sou um humano engatilhado para se aventurar nos escombros de sua própria ruína. 

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