sábado, 25 de julho de 2026

Devaneio esCulpado

 
São quase 03h da manhã, está chovendo e a frequência da queda dos raios está relativamente agradável. Claro, o trovão que sucede a claridade também protagoniza um excepcional momento de reflexão. Estive pensando no passado, como sempre faço, e isso é muito ruim, pois me faz sentir mal comigo mesmo. No entanto, nos últimos dias eu tive uma epifania e consegui me lembrar de momentos quando eu era muito pequeno, talvez 4 ou 5 anos de idade e desde lá, eu era uma criança promissora na questão de dificultar a vida de todos ao meu redor, especialmente, a minha. Digo, revolta, reações extremamente impulsivas e uma distorção da realidade e de mim mesmo que chega a ser enquadrado numa espécie de diagnóstico psiquiátrico. Desde criança, estive convivendo comigo mesmo e meus pecados, meus maiores e mais tenebrosos que ninguém se faz ideia a não ser eu mesmo. Prefiro assim, conviver com essa tonelada de desgraças ao colocá-la sobre qualquer pessoa. Meu temperamento agressivo sempre foi manifestado desde cedo, quando revoltava-me aos pequenos detalhes tão significativos e belos dessa vida. Toda a desgraça que causei na vida de todas as meninas que se atreveram a me tocar e todas as más amizades masculinas, sempre alguém invejoso, alguém mal intencionado, alguém que, de algum modo direto ou indireto, esteve comigo para simplesmente fazer mal e/ou praticar o mal. 
Possa ser que a teoria de que tudo isso é um tipo de karma tenha caído ao chão, agora que meu pensamento focaliza nos detalhes dos primeiros momentos de minha existência. Quero dizer, há pessoas que nascem com o dom de serem elas mesmas, conseguem dialogar bem e interagir. Há gente que nasce vencendo, que nasce ganhando muita educação e carinho e também dinheiro, toda uma construção muito bem sólida e há aqueles que, iguais a mim e até piores, nascem apenas para parasitar sobre a Terra. O namorado da minha irmã, o menino é muito bonzinho, tem apenas 21 anos e já tem um carro de quase 200 mil reais, uma moto zero km e algumas casas. Eu, até um tempo atrás, invejaria ele por ter isso tudo ... Mas, isso seria um pecado. Veja bem, conheci um rapaz que usava muita droga, comigo, inclusive. Era até pior que eu e hoje, está morando em outro estado, ganhando muito dinheiro e até pai já é. Conheço pessoas que humilhei - mesmo que não fosse a intenção no momento - e hoje vivem melhor do que eu poderia imaginar um dia poder viver. Meus irmãos, ambos terão seu diploma em mãos, ensino superior. Eu ... Eu que fiquei anos estudando dentro do quarto enquanto meu pai saía pra trabalhar de noite, eu que "pagava de intelectual", comecei uma faculdade e não terminei. Minha vida toda foi, talvez, o início com o fim prematuro. Meus atos, minhas ganancias, vícios e descontroles emocionais, tudo isso me devorou por completo ao longo do tempo, até os dias de hoje. Bom, onde quero chegar com esses exemplos ? Eu tenho essa natureza escrota e eu acredito que devo aceita-la o quanto antes, para só assim, toda essa angústia cessar. Sempre fui alguém ruim, não como ser humano no modo geral, mas ... uma máquina ruim que há quem goste, mas ... é ruim. E está tudo bem ... Aos poucos tudo está ficando mais claro e isso tem sido libertador, embora às vezes eu sinta todo o peso do sistema solar em mim. Anteriormente, estava falando sobre pessoas que trabalharam duro para construir. Que usaram do bom senso, do socioeconômico vigente para se equilibrar. Eu poderia culpar meus pais por não terem estudado o suficiente, não serem formados ou não terem ido em busca de construção de patrimônio, mas, não, jamais. Me lembro bem, antes mesmo do meu irmão nascer, quando ainda eu era filho único, lembro de minha mãe me tratando muito bem, meu pai também. Tive uma infância muito boa, fui feliz, tive diversão e lembro do meu pai comprando tudo que sempre esteve ao alcance dele pra mim. Sou tão grato por tudo isso. Há uns dias eu estava indo embora quando passei pelo ponto e vi meu pai sentado, sozinho, ali em frente do posto de saúde. Sempre esteve ali e eu vendo aquela cena, me corroeu em amargura contra mim mesmo, em um desprezo imensurável para com minha personalidade. Eu deveria ter dado algo ao meus pais, não eles mais nada a mim. Deveria tá eu cuidando deles, ajudando com dinheiro, mas, não ... Vivo constantemente com meus vícios sozinho em uma casa de fundo que, colocando assim, pareço estar numa pior, mas, não, não mesmo. Estou muito bem, tendo em vista todas as possibilidades que poderiam hoje serem fatídicas. Sobre este planeta, declaro que, em meu nome, Victor Mateus Palma, ninguém mais tem culpa alguma a não ser eu. Todas, absolutamente todas as pessoas que já passaram por minha vida, que vocês todos e todas fiquem sabendo: eu sou o único responsável por qualquer merda que tenha acontecido de ruim, justamente porque não soube nunca meditar minhas razões para dosar nas ações, sempre fui primitivo nessa questão saber viver e quando falo em viver, me refiro a fazer o certo, fazer o bem. Às vezes, apenas fazer. Todos os demais - ou mesmo uma ou mais dessas pessoas - que tenham tido sucesso em suas vidas, seja com empregos ou construção de um núcleo familiar, desejo a eles todos tudo de bom e do melhor. Que realmente vençam e façam de suas vitórias, uma conquista eternizada que outrora fora em busca de si próprio. Eu ainda continuo nessa e duvido muito que encontrarei a reposta. Não há muito mais para mim, a aceitação para definitivamente me encontrar em paz comigo mesmo, tem como resultante a inexistência de qualquer fragmento de força de vontade e desejos sólidos, se caso eu ir de contra a mãe natureza, erros e severas consequências terei, obviamente. Então, vou aceitar - devo - que a natureza me envolva com sua essência e me reconstitua cada dia em um ser superior, não aos meus semelhantes, mas a mim mesmo, porque meu inimigo e tudo que luto contra, está aqui, em mim. 
Pensando que fiz 27 anos no dia 27 de outubro de 2024 e me acidentei no dia 15 de julho de 2025, foram 9 meses de 27 anos ... Praticamente uma gestação. Curioso pensar nisso e mais ainda, triste por notar o tamanho da estupidez com que lido com minha própria vida. A chuva continua, deu uma acalmada ... Estou lendo o lobo da estepe. 
Estou também com uma caixinha de sertralina aqui lacrada. Estou pensando em começar a tomar, mas não sei muito bem como e quando, talvez, na próxima semana. Mas, confesso que estou com um pouco de medo, porque sempre que começo a fazer isso, algo acontece. Independente de bom ou ruim, algo sempre acontece. Mas tenho que parar com meus vícios, e quando falo vícios, não me refiro a drogas ou mulheres, somente, mas também ao vício de olhar pra trás e ficar parado e caminhar por 6 passos e tomar a mesma atitude. 
Aarh, eu só não quero ser um horror de pessoa ... Queria dar mais felicidades às pessoas ao meu redor e a mim mesmo, mas não sei como fazer isso. Já me disseram que eu tenho muita energia acumulada e que era pra sair conhecer todo o mundo e ir estudar, etc ... eu até gostaria de que isso fosse possível, mas aí paro pra pensar sobre como sou, que o mundo não me merece não porque sou bom demais pra ele, mas pela ideia totalmente contrária: sou péssimo para esse mundo.
Eu gostaria de fazer alguma diferença em algo, pensou, se eu fosse ovacionado por 2 pessoas, apenas, mas que fossem ovações genuínas. Disseram tchau para mim e não olharam pra trás, eu gostaria de ser assim também, mas não consigo. A ideia de ter quase 30 anos e atualmente uma pequena moto, morando numa casa alugada e sem perspectiva alguma de mudança de vida, me mata aos poucos e eu faço disso um suicídio gradual. 
Tudo isso é volátil, solúvel e de dissociação repentina. Me perdi demais e jamais me encontrarei ... Dias mentalmente difíceis, há uma semana morria uma menina muito dócil e legal que tive o prazer de conhecer, talvez em meados de 2012 ou início de 2013, ela tenha ido em casa e eu a beijei. Morreu subitamente, dentro de um hospital, ironicamente, pois até onde sei, estava lá acompanhando sua mãe. Fiquei muito sentido pela partida dela, via as fotos dela com seu namorado sempre com um gol quadrado, juntos e felizes, inclusive fotos deles no bosque. Ela era bonita e muito legal, até onde a conheci. É por esses eventos aleatórios que me indago com a questão de propósito de vida, questões existenciais e tudo que possa ser tingido por interrogações. Última vez que a vi, não tenho certeza absoluta, mas, talvez, e é um talvez generoso, que a vi no hospital quando eu estava com dengue, eu acho, no início de 2025. Conversei com ela uma última vez não há muito tempo pelo Instagram ... Enfim, que droga. Ela não deveria ter ido cedo, tinha minha idade e com toda certeza do mundo, muito mais prazer em desfrutar da vida do que eu. Mas esses eventos aleatórios são imprevisíveis e podem acometer literalmente a todos nós, cedo ou mais tarde haveremos de ir. Que essa dócil menina encontre a paz onde quer que esteja, ela merece. 
Quis citar o ocorrido porque realmente ela era legal e foi injustiça da vida ter feito isso. Protesto firmemente com vil rancor sobre essa decisão da natureza, mas, com o resquício suficiente de compreensão. Agora, falando sobre ela, a natureza, preciso que haja redirecionamentos para eu conduzir minha vida. Dia 29 tenho retorno ao médico, o braço ainda está com aquela pequena fístula que não fecha, meu direito ao afastamento remunerado vai até dia 30/12 e aí ? Estou me sentindo gordo, pesado, flácido, burro, ignorante, tenso, inseguro, inseguro, inseguro três vezes porque estou muito inseguro comigo mesmo, a vida que atormento antes de enfrentar um supermercado, uma reunião em família, é absurdo de incoerente. Estou vivendo todo o rebote do que não era antes: tinha motona, dieta, musculação. Hoje, nada disso tenho e ... que diabos estou dizendo, afinal ? Motos só me fodeu, principalmente na parte financeira. Amizades de merda que só me afundaram - volto a dizer que eles não tem culpa, mas, sim, eu por ter oferecido a minha presença a eles e nunca ter questionando e se eu o fizera, caguei para a conclusão, se essa fosse ativamente a favor do afastamento dessa gente. Na verdade, parece que tenho um tipo de leme que me conduz diretamente à merda. 
Tenho raiva dentro de mim ... tenho medo dentro de mim ... tenho muitos desclassificados do que seria constituinte de um bom ser humano ou tudo isso é também uma ilusão e eu já não sei mais diferenciar o que é real e o que está aqui, vivendo dentro de mim, comigo ? 
Não sonho mais ... Talvez seja por causa dos fumos, mas dormir sem sonhar é experimentar a morte todas as noites, uma vez que só há o desligamento de tudo, todos os sentidos ... Ainda que não seja ruim, a ilusão em sonhar e experimentar um realidade alternativa pode ser interessante, ainda que, em essência, seja de total indiferença, no final das contas. 
Faltam apenas 5 meses para o ano acabar, parece que foi ontem que fui na virada de 2025 para 2026, minha ex namorada, a Dani e meus pais, lá na avenida nova ... Ainda que tenha sido legal, me alivio em saber que não pertenço mais a ela e nem ela a mim, o peso na minha consciência em ter uma família já feita que não por mim, uma pessoa que exalava mais atitude, autonomia e inclusive maturidade que eu, enfim, que era melhor do que eu em tudo e em tudo eu me achava inferior, bom, é, realmente bom ter tido um fim nisso. Estou há uns 4 meses morando sozinho e vejo que terminarei assim, sem família por criar, filho, mulher. Que eu tenha paz antes de partir também desse mundo. E mais importante, que eu encontre as respostas para minhas perguntas e se não encontrá-las, que então de algum modo aja justiça, não em meu nome, pois eu sou ninguém e esquecido por todos e ignorado por muitos, mas justiça pelo fluxo da mãe natureza e, quando assim coloco, me refiro com certeza às mãos de Deus. 
Não sei, mas seria interessante alguém lendo isso tudo quando eu não estiver mais por aqui ... Quem seria o leitor ? Talvez nem haja, o celular tenha se danificado por completo. Históricos, sistemas de buscas, o Norton, nossa, descobririam tantas, mas tantas coisas desconcertantes sobre mim. É como ver um homem sem a pele, só com a musculatura toda aparente, uma aberração, embora seja de naturalidade tão simples e honesta quanto o crepúsculo que sucede o mais belo pôr do Sol.



segunda-feira, 18 de maio de 2026

Retocando memórias


Parece que o tão aguardado momento começou. Talvez, mais do que aguardado, o mais necessário e potencialmente transformador. Meu último relacionamento chegou ao fim bem antes de termos parado de nos ver. Após o meu acidente, tudo mudou radicalmente dentro de mim. A maneira como eu me enxergava e como interpretava o mundo ao meu redor foi totalmente transformada e, mais do que isso, moldada - até os dias atuais - lentamente, para que eu além de assistir, também sentisse cada instante da transformação. 
Morando sozinho, desprovido de qualquer desatenção alheia e conversas irrelevantes, agora o destino me oferece numa bandeja de solitude e esperança uma nova reviravolta. A restauração do eu agora moldado pela angústia, decepção e dor, fomenta uma nova versão que talvez eu jamais poderia imaginar que pudesse existir em meio a tantas coisas ruins que aconteceram simultaneamente comigo. 
Estou com a memória prejudicada, a atenção afetada e com bastante sono, mesmo tendo dormido toda a manhã até a tarde. Único momento que esse ano estou mais aguardando é o lançamento do GTA 6, dá pra acreditar nisso ? Um jogo de vídeo game. Mas é muito mais do que isso, digo, antes de eu ser quem eu costumava a ser antes do meu acidente, eu era um jovem que amava jogar video games - talvez eu nunca tenha falado disso aqui. Ganhei meu primeiro PlayStation, o PlayStation 1 em meados de 2002 ou 2003, não me lembro muito bem, mas lembro de jogar vários jogos que eu realmente amava, como o test drive 6, NFS Porsche Unleashed, Driver 2, jogos de futebol que eu não vou saber dizer o nome agora e também o saudoso Vigillant 8. Época boa, eu fui uma criança muito feliz. Lembro-me de ir com meu pai buscar esse vídeo game durante a noite, o vendedor - que morava na cohab, rua 3 e seu filho se chamava Vagner - foram até em casa fazer a instalação. É uma vaga memória que jamais esquecerei. Ironicamente, alguns anos depois, eu iria ter uma "apaixonite" pela Thais, viveria num triângulo amoroso, pois o Vagner também gostava dela. Destino ironizando a mim ou mera coincidência ? As vezes a matemática não faz muito sentido, principalmente quando queremos atribuir significado a tudo. Enfim, o meu próximo vídeo game, o PlayStation 2, lembro exatamente também como que aconteceu ... Meu pai havia ido me buscar na escola, E.E João Tuschi - lembro-me de escrever exatamente o nome da escola assim e colocar a data, 2006, 2007 - quando passamos em frente ao estabelecimento que vendia botijão de gás - o falecido Carlinhos ficava sentado lá fora - meu pai falou: lá em casa tem um PlayStation 2 te esperando. Imediatamente fui correndo, subi na beirada da cama e abri o guarda roupa para pegar o vídeo game. Lembro do meu pai instalando e meu irmão chorando que queria jogar comigo e eu bravo porque nem instalado havia sido, cômico. Joguei muito, lembro-me que antes de tê-lo, jogava no do meu primo Rafael & Ricardo, lá no bosque, época simplesmente maravilhosa também. Consigo sentir o cheiro de pão de forma com manteiga esquentado na frigideira e um copo de leite com achocolatado. Então, parte daí a neura por GTA. Dentre os jogos que eu jogava MUITO no PS2 - PES, os Need for Speed, Sonic Unleashed, Resident Evil 4, Tony Hawk American Wasteland - muitos outros que não me lembro agora, o que eu mais joguei foi o GTA San Andreas. Meu Deus, como que eu joguei. Consigo me lembrar das músicas, dos sons dos carros, tiros e tudo, absolutamente tudo. Não muitos anos de passaram, meu pai me deu um computador, de primeira vez, sem placa de vídeo, até que posteriormente ele comprou uma, Geforce 9500GT. Placa relativamente fraca pra época, 2010, mas rodava muitos jogos e me proporcionou muita diversão. Lembro que joguei muito o Resident Evil 5, Skyrim, Call of Duty (vários), Battlefield, NFS, Far Cry, enfim, nessa época, estávamos na era do PlayStation 3, mas custava um absurdo, então saiu mais vantajoso comprar o PC. Enfim, entre os jogos que joguei no computador, joguei muito, mas muito mesmo, o GTA IV. Meu Deus, como que eu amava esse jogo. Adorava mesmo, jogava por horas, só parava pra ir pra escola e dormir, época muito boa. Uma ressalva que eu gostaria de deixar aqui, em 2014, na férias de julho, eu e meu irmão passamos todos os dias e noites jogando - ele no Xbox 360 e eu no PC - o Skyrim, que jogo fenomenal. Vira e mexe nós comentamos sobre essa época que passamos jogando. Um amigo que mora lá em frente da casa dos meus pais, o Deivid, ia em casa e ficava horas lá, às vezes jogávamos Yu-Gi-Oh também, mas em cartas físicas, não no vídeo game. E ele ficava lá conosco, vendo eu jogar no PC - ele não gostava de jogar. Enfim, 2013, 2014 foi mais ou menos assim, depois comecei a namorar a Luara, Mr. Moura, eu às vezes a chamava. Aí, me afastei do Deivid e dos jogos, embora ainda jogávamos guitar hero 3 no Xbox 360 do meu irmão e algumas vezes ela jogava The Sims 3, eu acho, no meu computador. Aliás, nesse computador, no HD, deve ainda ter MUITAS fotos nossas e pastas de músicas, álbuns ... Bom, voltando ao foco, o GTA IV foi um jogo que realmente me marcou muito, assim como o Skyrim. Em 2013, houve o lançamento do GTA V, lembro-me de estar tão ansioso pra jogar, via vídeos dos trailers e ficava alucinado em colocar as mãos logo. Deu certo, lançou e joguei no Xbox do meu irmão. Nem sei quantas vezes eu joguei e zerei o game, mas embora tenha sido muito bom, não foi tão marcante quanto o San Andreas e o IV. 
Agora, após 13 anos, lançará o GTA VI e eu estou muito ansioso pra jogar, mesmo estando hoje com 28 anos. 
Agora, abstraindo todo o contexto acima, ano passado comprei um PlayStation 5 e alguns jogos. Me isolei, voltei a jogar, já que andar de moto e ir para a academia pra enaltecer meu ego não está em questão de escolha de vontade minha, sinto que cada vez mais estou voltando a ser aquele garoto fascinado por jogos e quieto.
Passei por muitas experiências entre 2021 até 2025 e atualmente, mas em especial nessas datas numéricas citadas, me vi trabalhando de guarda e acatando ordens grotescas, vi gente horrorosa como ser humano ditar regras inúteis, vi que a vida realmente não é justa. Após ter passado em um outro concurso público e ter ido pra área da saúde, vejo que deixei tudo subir demais pela minha cabeça, me tornei uma versão de alto ego e baixo intelecto. Me vi abrir mão de pessoas que me ajudaram muito, por puro egoísmo. Ou talvez nem tanto, porque eu tenho defeitos enormes que ocultam eu visualizar os das pessoas, de forma completamente honesta. 
Vendo tudo agora por uma óptica mais analítica, eu só fiz cagada ao longo da minha vida. Me vi deixando pessoas boas e me aproximando de gente ruim, por razões de vícios e alteregos. Quero fazer tudo diferente, pois agora eu tenho alguma chance, tenho que acreditar nisso.
Talvez eu vá morrer solteiro, sem filhos, com a mentalidade de um adolescente e de forma triste, mas fiel às minhas vontades, porque no final de tudo é o que sobra, nós com e por nós mesmos. 
E está tudo bem ... eu vou poder lidar melhor comigo mesmo após viver na solidão pra usufruir da solitude. 
Espero que eu me encontre no meio dessa bagunça que eu fiz ... Desejo que todas as mulheres que já passaram pela minha vida, tenha felicidade, amor e carinho que eu pude mas não soube dar. Que todos os amigos, sendo eles bons ou ruins, também encontrem conforto e felicidade na vida deles. Mas que eu, acima de tudo, consiga ter a mim mesmo e, mais do que isso, aceitar a mim mesmo perante todas as minhas escolhas erradas e atitudes egoístas. 
Quero me tornar um ser humano melhor, quero usufruir de uma nova vida que tenha sentido para mim. 
Se há um Deus por aí ou se tudo é apenas um estado de desordem aleatória e eventos confusos, por favor, que eu obtenha o meu caminho e que nele eu consiga seguir, no meu ritmo.