quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Contemplar

Então aconteceu no dia 25/02/25. Coloquei um ponto final no relacionamento com a Ana. Quase três anos juntos, vivendo juntos, nos divertindo juntos. Muitos bons momentos com ela, poucos momentos ruins com ela. Menina fiel, companheira e amiga. Uma verdadeira raridade nos dias de hoje. E eu simplesmente quis abrir mão disso. Mas, por que ? Eis a questão. Vocês acham que eu não sei o que estou fazendo ? Claro que sei. E sei muito bem. 
Embora ela tenha todas essas maravilhosas qualidades, era também uma pessoa na qual me entregava um conforto estagnado, como se eu fosse um grande predador dentro de um ambiente meticulosamente cuidado para me manter vivo, sob as melhores condições possíveis de vivência. Mas é aí o pulo do gato: um grande predador, se soubesse que está preso - simplesmente esse fato - e ainda que pudesse sair por um caminho não tão secreto, continuaria a viver sob aquelas boas condições de confinamento ? Eu acredito que não. E eu fui esse predador. Tudo estava bem, mas no fundo do meu coração, não estava. Embora eu tenha um amor imenso por ela, desejar todo o bem possível pra ela, eu não a mais queria em minha vida. Não consegui enxergar um futuro promissor com ela, só me via parado no tempo a vagar eternamente vírgula até que eu morresse. 
O jeito que abordei a ideia, foi muito repentina. Fui para a academia e quando voltei simplesmente a acordei e em poucos minutos comecei a falar. Parei pra refletir um pouco e cheguei numa conclusão repentina de que acredito que ela já quisesse o mesmo, mas não teve coragem nem a iniciativa de fazê-lo. Porque também feliz ela não estava, me cobrava atenção constantemente, eu a ignorava, preferia estar em outros lugares do que com ela, enfim, criei na verdade uma rotina muito ruim para mim mesmo. Gastando muito dinheiro com maconha, monster, palheiros, gasolina ... O meu circo social foi um dos de pior qualidade possível: Henry, garoto de 19 anos que só presta pra fumar maconha. Tala, 21 anos, só fuma cigarro/palheiro e toma monster. Bonoto, mesma coisa. Nina, igualmente. Livia, apareceu em raras ocasiões e mesmo nessas breves apariçãos, segue o contexto dos anteriores. Enfim, muito tempo perdido, quando eu poderia estar lendo um livro, estudando, assistindo algo do meu interesse, dormindo ou fazendo qualquer outro tipo de atividade. 
Não dava mais pra continuar uma vida tão pacata assim, me afundando cada vez mais. O problema, lógico, sou eu. Eu sou o problema. Veja bem, agora tem a Danieli, vamos analisar o contexto dessa mulher: 31 anos, recém divorciada, ainda pendendo se volta ou não com o rapaz. Tem um filho de dez anos. Vou abrir meu coração aqui pra vocês agora: confio nela ? Não. Sinto que ela pode me prejudicar ? Sinto. Sinto que ela gosta de fazer jogos de desinteresse ? Sim. Então, por que cargas d'água continuo saindo com ela ? Um breve preenchimento momentâneo-emocional ? Do que eu não gosto ? De me sentir rejeitado. Não gosto de rejeição. De desaprovação. Sou estranho, ao mesmo tempo que quero chamar a atenção, quero ser despercebido. Ao mesmo tempo que curto quando os holofotes estão direcionados a mim, gosto também quando estou sentado lá no fundo do cinema, na parte mais escura e menos visível. Enfim. A Danieli não vai virar nada, será apenas perda de tempo, dinheiro e terei estresse atoa. Ao invés disso, o melhor é eu focar em mim mesmo, no meu desenvolvimento pessoal, como um ser humano. A famosa busca incessante para ser um homem melhor. E então voltei a morar com meus pais, espero de verdade que surja alguma oportunidade de casa de aluguel pra eu cair fora daqui e viver a minha própria vida. Morar sozinho não deve ser fácil, mas é honroso. 
Só gostaria de relatar mais uma coisinha: acho incrível como que as coisas vão acontecendo e o modo que vão acontecendo. Perdi meu celular, derrubaram a minha moto, algumas pessoas mais próximas do trabalho se afastaram, sinto que ganhei volume muscular e tenho pensado mais no meu pai ultimamente. Não sei, mas cada ação, evento, causas e consequências, parecem estar de algum modo sendo influenciados por uma força maior. Agora um colega me disse: vai na igreja comigo. Mas e se isso foi apenas um: Norton, vá se confessar. Um antigo colega disse que foi se confessar e coisas boas aconteceram com ela. Bom, sou cético, mas aberto para perspectivas diferentes. Não que eu queira ir só pra passar a ter uma boa vida, mas sim para ver a transformação interna que pode me fazer ter. Estaria na religião a real salvação ? Eu quero acreditar que não. Não pode ser assim ... Digo, há pessoas más que matam em nome de Deus e pessoas boas que não acreditam em sua existência. 
As vezes eu me acho bom mas as vezes eu também me acho mau. Independente do que eu sou, era, estou sendo ou posso ser, deixar de ser e até mesmo vir a ser, quero, acima de tudo, acreditar que há esperanças e algo magnífico está me esperando. Contudo, preciso - antes de mais nada - contemplar uma versão melhor, única, de mim mesmo.