sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Concebido

E é como tudo deveria ser ? Estou numa espécie de abismo, vivendo sob uma pressão angustiante. Perdi toda a minha identidade, eu sabia que o número 27 iria representar algo realmente significativo. Não foi bom. No último dia 15/07, às 21:30 eu me acidentei, quase morri. Quebrei clavícula, escápula. Desestabilizei todo meu ombro direito. Temos não me recuperar. Sei que tudo jamais será como antes, mas me interesso em saber o quão diferente será. Abri mão de um relacionamento porque eu acreditava estar na merda, mas aí, agora estou com a Dani, a mulher que eu me apaixonei de forma espontânea e equivocadamente a trouxe pra minha vida. Contas, contas e mais contas. Dinheiro emprestado: do pai, do irmão. A moto que se foi, academia e dieta também se foram. Me configurei de um modo tão tolerável que chega a ser doloroso demais viver assim. Numa vida de questionamentos, medo do futuro e tudo mais. Estou com quase 30 anos, minha vida está estagnada. E sim, entendo que é tudo culpa minha, exclusivamente minha. Porém, há fatores envolvidos que realçam essa premissa. 
Vou ter que ficar meses afastado do meu trabalho, tudo que me constituía, se foi. Eu me fui. É o karma, talvez, ou apenas uma fase absolutamente horrível que estou vivendo. Definitivamente sem amigos, sem nada. 
Perdi a minha fé, acredito eu. 
Que droga. Estou levemente sedado.
E se tudo for possível, afinal ? Digo, questão de perspectiva: há divergências sobre a interpretação de mundo. O que foi falado até agora, nada mais é que apenas uma face da moeda. A outra podemos interpretar do seguinte modo: uma nova chance de fazer tudo diferente. E se foi isso que eu pedi a Deus, afinal ? 
Uma segunda chance, mais uma tacada, um movimento. Mas as maneiras são estranhas, dolorosas. Poderia tudo ter sido muito pior, mas ainda assim foi pesado. 
Sinto falta de mim de uma vida que não vivi. 
Ah como que a vida passa rápido, né ... Tudo parece que foi há pouco tempo, mas quando para pra analisar com atenção, foi há tempos. Os dias estão ficando cada vez mais curto, os anos vindo rápido demais. 
Fiquei meses sem postar aqui, mas é assim que é para ser. Raramente, quando houver algum estopim, algo interessante prestes a vir à tona. 
Enfim, eu todo arrebentado aqui, agora vejo a relevância que tenho neste mundo: nenhuma. Nem uma significância. Os "amigos" viraram as costas, nem me dão atenção. Eu precisava, digo, no fundo do meu coração, eu sei que, de fato, eu precisava de um sacode. As coisas estavam estagnadas demais, tudo rodando perfeitamente pra lugar algum, como se eu estivesse vivendo num automático definhando cada vez mais. 
O filho dela, Vitor, acabou de perguntar pela mãe - nem eu sei onde ela está - e perguntou também se poderia deitar comigo. Claro que eu disse que sim, mas não vejo que sou relevante. Ele está deitado aqui do meu lado. É bonzinho demais, eu ... Eu não sei por que sou tão ruim, por que tudo me estressa e desagrada. Um poço de insatisfação contínua. É uma dor preta e branca, incolor. A verdade é que não tenho nada, tenho tudo, a vida é pouca e insuficiente para ser concebida atrás de falsa felicidade, vida teatral.
 

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