Uma espera eternizada, uma vida desperdiçada. Uma ferida profunda que se recusa a se curar, erros que persistem em cada vez mais se aperfeiçoar. Novos caminhos aparecendo, caminhos onde a luz é impenetrável, onde a vegetação é favorecida pelos espinhos, pela selvageria da vida.
Nunca vou me entender por completo, é um esforço em vão tentar. Não estou preparado, nunca estive e jamais estarei. Minhas próprias preocupações, meus próprios ferimentos. A espera por um milagre num contexto ateísta. A independência emocional, a carência por atenção alheia, o devaneio por essa jornada sem sentido algum. É como se eu pudesse ver a esperança, conhecer ela, mas não poder nunca tocar. Um esforço em vão.
Poderia eu conseguir cavar mais fundo esse buraco para poder me enterrar de vez ? A melancolia que me atrai, as escolhas que me condenam antes mesmo de serem tomadas. Quem poderia me ajudar ? Não consigo fazer isso sozinho, não consigo ser melhor. A busca pelo aperfeiçoamento como pessoa é muito teórica, na prática, essa teoria é completamente diferente.
Deus pode e olha por mim, mas por que me coloca nessa posição tão delicada na beira de um penhasco onde o vento é de centenas de km/h ? É desafiante acordar esperançoso quando isso se torna rotina. A preocupação, são tantas.
Esse blogue só fará sentido quando eu cometer o suicídio e me for de vez e alguém encontrar essa merda toda para se divertir ou fazer um roteiro sombrio ao mesmo tempo em que é cômico.
Estou aqui, sentado, esperando. Esperando sentado. E não vem, nada vem. Ninguém se importa. No final, a relevância é mínima. É dolorosa, é constantemente presente. Dependendo de mim mesmo para se resolver, como seria isso possível se sou tão fraco, tão desprezível.
Nunca, ninguém virá por mim. Sequer detenho o direito de cobrar por isso, cobrar atenção e reciprocidade, afinal, é tudo proibido, tudo muito embaçado nesse caminho. Sobreviver dentro do subconsciente é como estar numa selva extremamente perigosa, com apenas os braços e a mente. Acenderam a luz, mas não vieram e eu cá estou sozinho, ainda, na escuridão. O verdadeiro interrupor terá que vir de mim, para finalmente apagar o que vem ofuscando.
Dando uma continuidade algumas horas após o último ponto final dessa publicação, sentado aqui em um outro lugar ainda sozinho, pensando e refletindo melhor, acho que está acontecendo o que eu no mais profundo do meu coração queria: a volta da melancolia e insignificância, a constante crise existencial. Sei que se suceder os eventos que tanto desejo, tudo acabará sendo igualmente semelhante.
Enfim voltarei aqui em alguns dias.
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